Suicídio na área da saúde: sinais de alerta e prevenção

Entenda os principais motivos do profissional de saúde fazer parte do grupo de risco, além das formas de identificar esse comportamento.

  • 26/09/2019
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O Setembro Amarelo foi criado em 2015 no Brasil, fruto da parceria entre o CVV, CFM e a ABP. (Fonte: iStock)

O suicídio é visto atualmente como uma questão de saúde pública, devido os crescentes números de mortes do mundo por esse motivo. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que a cada 40 segundos uma pessoa se suicida ao redor do mundo. Além de ocupar a segunda posição nas principais causas de mortalidade entre os jovens.

Este cenário gera também um alerta para os profissionais da área de saúde. Por ser resultado tanto de diversos fatores psicológicos como sociais, esse grupo torna-se um dos mais vulneráveis para esse comportamento. Mas quais são os motivos que contribuem para essa condição propensa a um possível suicídio? Como identificar os sinais e quais são as formas de prevenção? Qual é a importância desses profissionais cuidarem também da sua saúde mental? Essas perguntas surgem como forma de reflexão e debate sobre o tema.

Neste artigo, entrevistamos a psicóloga Marcely Quirino, especialista em Psicologia Hospitalar e Terapeuta Cognitivo Comportamental para ajudar você, profissional de saúde,  a reconhecer esses indicativos e compreender as formas de prevenção discutidas durante o Setembro Amarelo. Confira a seguir:

O índice de suicídio tem sido recorrente entre os profissionais de saúde. Quais são os principais motivos desse comportamento atingir essa classe?

Os fatores que levam um profissional a esse comportamento podem estar relacionados principalmente ao ambiente de trabalho. Muitas vezes pode ser um ambiente hostil, com conflitos interpessoais, sobrecarga laboral e estresse diante da responsabilidade de lidar com o sofrimento humano e vivenciar a iminência de morte dentro do âmbito hospitalar. Conflitos familiares e a questão econômica também são aspectos que geram grande preocupação entre os profissionais. Uma questão importante de abordar é a Síndrome de Burnout, onde o profissional chega ao pico da exaustão emocional, física e psicológica. Além do mais, outros tipos de doenças nas articulações e psicossomáticas podem se manifestar como consequência.

Como identificar o profissional que esteja sofrendo um possível distúrbio mental que pode levar a um suicídio?

A depressão é uma das causas que pode levar ao suicídio. A primeira mudança a ser notada está ligada a rotina desse profissional, por exemplo: algo que lhe era prazeroso antes, não é mais; nota-se um aumento ou diminuição excessiva de peso; o indivíduo pode começar a faltar muito no trabalho, sentir muito sono e cansaço. Porém, o principal sinal é quando a pessoa começa a verbalizar esse comportamento, com frases como “eu não aguento mais”, “quero sumir” e quando existe um pensamento frequente de que ela não quer mais estar ali.

Qual é o grande desafio desses profissionais de saúde, principalmente, no seu ambiente de trabalho para poder manter a qualidade de vida?

Cuidar de quem cuida muitas vezes não é um trabalho fácil, pois a rotina desses profissionais consiste em entregar cuidado ao próximo. A jornada dupla de trabalho combinada a produção de resultados são fatores que podem levar à exaustão, ao ponto de esquecerem do seu próprio bem-estar. O principal desafio para esses profissionais é compreender que o autocuidado é importante e não deve ser deixado de lado.

Quais são as formas de prevenção?

Ações simples de prevenção como cartazes informativos, palestras, seminários, treinamentos na instituição em que o profissional trabalha são formas eficazes de abordar o assunto. É necessário cultivar um diálogo acerca desse tema, pois quanto mais for falado sobre o suicídio, mais as pessoas vão multiplicar as informações. Atualmente, o Centro de Valorização da Vida (CVV)  é uma forma das empresas divulgarem centros de apoio, através do número de telefone 188 qualquer pessoa pode ligar e pedir ajuda 24h por dia. Isso é uma forma de promover um local de apoio e acolhimento, onde pessoas nessa situação entendam que não estão sozinhas.

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Qual é a importância do Setembro Amarelo?

O mês amarelo é uma campanha mundial, no Brasil foi implementado pelo CVV, em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria promove a campanha Setembro Amarelo para conscientizar a população sobre a relevância de falar sobre o suicídio. Essa iniciativa é importante para acabar de vez com o tabu de que falar sobre o tema, incentiva sua prática. Pelo contrário, falar de forma apropriada e qualificada é a principal forma de prevenir, é imprescindível que os familiares de vítimas e pessoas que vivenciaram esse comportamento saibam que elas podem ajudar outras pessoas a multiplicarem o Setembro Amarelo.

Qual alerta você deixaria para os profissionais de saúde?

Os profissionais de saúde precisam enxergar o que dá sentido à vida, perguntar por que eles estão nesse mundo e saber que eles não estão sozinhos. Mas principalmente, cuidar da saúde física e emocional. E, se for necessário procurar ajuda profissional em pontos de apoio, acompanhamento psicológico e psiquiátrico, buscar apoio da família e mentalizar que o primeiro passo para a melhorar é sempre nosso.

Setembro Amarelo: origem

A cor amarela é utilizada para representar o mês da prevenção ao suicídio devido ao casal americano Dale e Darlene Emme, que foram os responsáveis pelo início da ação “Yellow Ribbon”, “Fita Amarela” em português. Aos 17 anos, Mike Emme, o filho do casal cometeu suicídio. O rapaz era conhecido por suas habilidades mecânicas e paixão pelo Mustang 68 que restaurou e logo em seguida pintou de amarelo, vulgo “Mustang Mike”. Em seu funeral, uma cesta de cartões com fitas amarelas estava à disposição para quem quisesse pegar e neles continha a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. A visibilidade foi tamanha, que em 2003 a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e a cor amarela foi escolhida para simbolizar essa data.

No Brasil, o Setembro Amarelo teve início em 2015. Organizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) em conjunto ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Essa campanha tem como proposta conscientizar e reduzir os números desses casos através da disseminação de informação e a distribuição de cartilhas que incentivam pessoas a espalhar ainda mais a importância desse mês.

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