Psiquiatria: um breve panorama sobre a especialidade no Brasil

No Dia do Médico Psiquiatra, conheça o perfil dos profissionais, formação, áreas de atuação e mais.

  • 13/08/2021
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(Fonte: iStock)

A palavra psiquiatria, em grego, significa “a arte de curar a alma”. O significado é perfeitamente aceitável, uma vez que muitos dos problemas sobre os quais a área tem se debruçado ao longo dos seus séculos de história não possuem causas tão exatas ou óbvias quanto outras enfermidades.

No entanto, é evidente que os transtornos de ordem mental, sobre os quais os psiquiatras se dedicam a estudar, diagnosticar e tratar, afetam negativamente a qualidade de vida de milhões de humanos pelo mundo, pois, impactam diretamente os atributos que nos tornam o mais distinto ser vivo existente: raciocínio, percepção da realidade e expressão de pensamentos e sentimentos.

Nesta data, Dia do Médico Psiquiatra, a DotLib traçará um panorama sobre a especialidade da Medicina que cuida dos chamados transtornos mentais e de comportamento. E desde já, parabenizamos a todos os psiquiatras, veteranos ou em formação, e desejamos que sejam sempre reconhecidos pelo pioneirismo e coragem no desbravamento da psique humana.

Perfil do Médico Psiquiatra

Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2020, realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), atualmente existem cerca de 11.977 médicos psiquiatras no Brasil.

A maioria é masculina, representando 55,6% do total, enquanto as mulheres representam 44,4%. A média de idade desses profissionais é de 48,7 anos, sendo 12,6 anos mais jovem que a média de outras 24 especialidades. No Brasil, a média de médicos psiquiatras por 100 mil habitantes é de 5,70.

Nesta área, é comum que os médicos trabalhem em hospitais-gerais, consultórios particulares, ambulatórios, na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), no Instituto Médico Legal, entre outras instituições. Segundo o site Vagas.com, a média salarial do médico psiquiatra no Brasil é de R$ 13.529,00.

Entre os transtornos mais tratados pelos psiquiatras estão: obsessivo compulsivo, bipolar, de ansiedade social, personalidade borderline e dismórfico corporal. Além desses, o profissional também trata quadros de anorexia, depressão clínica e pós-parto, esquizofrenia, estresse pós-traumático, entre outros.

Formação e áreas de atuação

No Brasil, a especialização em Psiquiatria exige a formação prévia em Medicina que, em geral, tem duração de seis anos. Após esse período, o médico fará a especialização, que dura cerca de três anos, e que se dá por meio da residência médica, conforme outras áreas da Medicina. 

Subespecialidades

Cada fase da vida exige cuidados específicos, uma vez que o desenvolvimento dos transtornos mentais pode aparecer ou mesmo desenvolver-se de formas distintas em cada faixa etária. Outro fator interessante é que muitas das ocorrências de problemas mentais também estão relacionadas ao ambiente que cerca o indivíduo, bem como seu círculo de pessoas. Dessa forma, Associação Brasileira de Psiquiatria reconhece as seguintes subespecialidades:

- Psiquiatria da Infância e Adolescência: o médico psiquiatra que escolhe a psiquiatria aplicada à infância e adolescência tem sua formação voltada ao entendimento das síndromes e transtornos que são conhecidas por serem identificáveis desde cedo, como os transtornos depressivos, de humor bipolar e do espectro autista. É uma subespecialidade que exige abordagem na avaliação e no processo terapêutico diferenciada, uma vez que crianças e adolescentes expressam seus problemas de formas distintas um do outro e comparados aos adultos.

Os quadros mais comuns nessa fase são transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de conduta e transtorno desafiador opositivo, transtornos relacionados ao estresse, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos de ansiedade, transtornos do humor e esquizofrenia.

- Psiquiatria forense: diretamente ligada à área do Direito, os médicos que integram essa subespecialidade são responsáveis por traçar o perfil psicológico de um criminoso ou por avaliar o estado mental de pessoas envolvidas em um crime. A função é de extrema relevância, pois pode revelar pistas sobre o procurado e servir de base para a escolha da sentença. Além da Criminal, os psiquiatras forenses também atuam nas varas Civil e Familiar para realização de perícias médicas em vítimas de abuso doméstico, por exemplo.

O mercado de trabalho é amplo, podendo atuar no setor público (no Instituto Médico Legal, por exemplo), no privado (como parte de um time de peritos que são convocados para avaliações judiciais), e até mesmo como autônomo.

- Psicogeriatria (ou gerontopsiquiatria): este é um ramo voltado para prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação de idosos que apresentam problemas psicológicos ou psicopatológicos típicos da terceira idade.

Os transtornos mentais com os quais os psicogeriatras mais terão de lidar são a depressão e ansiedade clínicas, quadros psicóticos, transtornos por abuso de álcool e a demência, muitas vezes provocada pelo estágio avançado da doença de Alzheimer. As modalidades mais comuns das intervenções psicogeriátricas são a Terapia Cognitivo Comportamental, Psicanálise e a terapia familiar.

- Psicoterapia: diferente de outras subespecialidades, essa tem na dialética — ou seja, a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias — um mecanismo fundamental para a compreensão dos transtornos mentais ou dificuldades de relacionamento interpessoal dos indivíduos.

Muito útil não só no tratamento, mas também na prevenção, a Psicoterapia ajuda o paciente a entender sua personalidade, emoções, a detectar o que lhe aflige e a encontrar recursos psíquicos que podem auxiliar na resolução dos problemas e dificuldades psicossociais. Em casos mais graves, pode complementar outras terapias.

- Medicina do sono: denominada erroneamente como Sonoterapia (subespecialidade que induz o sono para fins psiquiátricos), a Medicina do Sono é voltada para o estudo da função do sono, seus distúrbios e respectivos impactos na vida dos pacientes. Médicos de várias especialidades que influenciam o sono podem integrar esta subespecialidade.

Para o psiquiatra, por exemplo, pode ser muito útil entendê-la, uma vez que a psiquiatria também trata de transtornos que têm entre seus sintomas distúrbios do sono — como a insônia manifestada no transtorno bipolar.

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Psiquiatras x Psicólogos x Psicanalistas

A confusão entre essas três áreas é muito comum e justificável, já que todas tratam de problemas de ordem mental e/ou psicológica. Porém, a diferença está não só na formação, como no foco e na abordagem que cada uma oferece — o que não impede que possam atuar juntas.

- Psiquiatras: de formação prévia em Medicina, os psiquiatras cuidam dos aspectos fisiológicos e bioquímicos que envolvem os transtornos mentais e de seus respectivos sintomas, sempre de forma individual. Dessa forma, os médicos desta especialidade são os únicos que podem realizar tratamentos pelo viés médico e farmacológico, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio hormonal do cérebro e reabilitar as funções cerebrais do paciente.

- Psicólogos: formados no curso de Psicologia, os profissionais dessa área avaliam e tratam problemas relacionados aos processos mentais, emocionais e comportamentais pelo viés social, filosófico e comportamental, sem o uso de farmacológicos. As técnicas mais aplicadas são as de conversação, como a realizada na psicoterapia, mas podem variar dependendo do profissional e do quadro apresentado pelo paciente. O atendimento pode ser individual ou em grupo e o leque de atuação do psicólogo é vasto, indo do aconselhamento e orientações vocacionais nas escolas até o atendimento em equipes esportivas, empresas, clínicas e hospitais. Para que possam exercer a profissão, é necessário ter registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

- Psicanalistas: são os profissionais adeptos da terapia criada pelo neurologista alemão Sigmund Freud, no século XX, que é mais vista como método pertencente à Psicologia do que uma área independente. Sua atuação consiste na utilização de livres-associações, sonhos e aspectos do inconsciente do próprio paciente para ajudar em sua recuperação. Alguns profissionais aplicam a técnica de regressão, com o intuito de fazer o paciente buscar em sua mente o momento exato de sua vida que possa ter originado emoções negativas. Neste campo, não é necessário ter formação em Medicina ou Psicologia — apesar da possibilidade de psiquiatras ou psicólogos adotarem a prática — e é muito comum que os especialistas neste conhecimento sejam graduados em cursos de Pedagogia, Recursos Humanos, entre outros distintos da área da saúde.  

Sobre a Associação Brasileira de Psiquiatria

Fundada no Rio de Janeiro em 13 de agosto de 1966 — mesma data do Dia do Médico Psiquiatra — a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) nasceu com o objetivo de desenvolver pública, social e cientificamente a Psiquiatria brasileira, além de reunir os mais de 6 mil profissionais da área credenciados.

Preocupada com a educação dos brasileiros, médicos ou leigos, sobre a saúde mental, a Associação é responsável pela realização de eventos como o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, e campanhas de conscientização, como o Setembro Amarelo.

Setembro Amarelo

Uma das campanhas de maior alcance na prevenção ao suicídio no Brasil, em 2014 o Setembro Amarelo nasceu da parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV). O nono mês do ano foi escolhido por já contemplar, no dia 10, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Já a cor amarela representa uma iniciativa que o casal Dale e Darlene Emme criou em 1994, após o suicídio do filho Mike Emme aos 17 anos, denominada “Yellow Ribbon” (ou “Fita Amarela”, em português). O rapaz era conhecido por suas habilidades em mecânica automobilística e por ser muito apegado ao seu Mustang 68, o qual ele restaurou e pintou de amarelo.

Em seu funeral, os pais de Mike colocaram à disposição uma cesta com fitinhas amarelas nas quais estava escrito “se você precisar, peça ajuda”. O ato tomou proporções tão grandiosas, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Segundo a associação, 12 mil brasileiros morrem por suicídio anualmente e 96,8% dos casos estavam relacionados a transtornos mentais. Além de evitar que mais casos se concretizem, a campanha tem o objetivo de “ajudar a população a desmistificar a cultura e o tabu em torno do tema, auxiliando também médicos e demais profissionais de saúde e educação a tratar e instruir seus pacientes e alunos”, como informa o portal oficial.

Principais eventos

XXXVIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria

Idealizado e organizado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Congresso Brasileiro de Psiquiatria está em sua 38ª edição e o tema deste ano será a “Personalização do Tratamento Psiquiátrico”. O evento, que será realizado em Porto Alegre (Rio Grande do Sul) entre os dias 06 e 09 de outubro, terá mais de 350 horas de atividades científicas e contará com a presença de especialistas brasileiros e internacionais.

Para se inscrever, clique aqui.

II Congresso Brasileiro de Psiquiatria Ocupacional

Nos dias 22 e 23 de outubro será realizada a segunda edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria Ocupacional (CBPO), cujo tema será “Saúde Mental no Trabalho”. O evento reunirá 900 profissionais de alto nível e entre os eixos previstos estão: “suicídio x trabalho”, “Burnout x depressão”, “depressão x trabalho”, “teletrabalho x saúde mental”, “Como a Justiça do Trabalho tem julgado casos que envolvem transtornos mentais?”, entre outros temas.

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