Perfil Médico: Patricia Bath, a médica que rompeu paradigmas

A médica oftalmologista lutou contra o preconceito, quebrou barreiras e revolucionou a luta contra a catarata.

  • 05/07/2019
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Patricia Bath durante um Festival de Cinema, em Nova York, em 2012. (Fonte: Reprodução G1/ Jemal Countess/Getty Images North America/AFP/Arquivo)

A história comprova que a medicina é uma ciência que se baseia em paradigmas, apresentando-se em constante evolução desde o seu surgimento. A partir de seus pilares, a medicina se sustenta e se renova. Por isso, um grande médico entra para a história a partir do momento que consegue reinventar conceitos e superar antigos paradigmas estabelecidos na ciência.

Esse é o caso da médica oftalmologista Patricia Bath, que revolucionou a especialidade médica que cuida dos olhos e da visão. É por isso que ela é a nossa primeira personagem na série Perfil Médico, apresentada pelo Cognys, que vai trazer a história e trajetória de grandes nomes que fazem parte da história da medicina mundial.

Biografia

Patricia Era Bath foi uma médica oftalmologista, nascida em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 4 de novembro de 1942. Apesar do sucesso na medicina, Patricia veio de origens humildes: filha de uma empregada doméstica e de um funcionário do metrô de Nova Iorque. Além do seu brilhantismo profissional, toda a sua história está permeada pela superação de obstáculos e pelo seu pioneirismo na área médica.

Formação

Ainda adolescente, Bath conseguiu entrar para a Faculdade de Medicina da Universidade Howard, com uma bolsa cedida pela National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência), onde ela se graduou com honras em 1968, recebendo seu título de Doctor of Medicine (M.D.). Ela também venceu o Prêmio Edwin J. Watson para Aluno Destaque em Oftalmologia.

Reforçou ainda mais o seu pioneirismo quando, em 1968, decidiu reunir estudantes de medicina da Universidade Howard para oferecerem atendimento médico de forma voluntária em um programa de caridade criado por Martin Luther King Jr., o Poor People's Campaign. Após o seu período de ativismo, a Dra. Patricia Bath realizou sua residência em oftalmologia na Escola de Medicina da Universidade de Nova York, entre 1970 e 1973, sendo a primeira mulher afro-americana a alcançar tal feito.

Entre 1973 e 1974, ela completou uma especialização em cirurgia de córnea e queratoprótese, realizada na Universidade de Columbia. Após isso, a Dra. Bath seguiu carreira como médica e professora, contribuindo de forma única e brilhante com a medicina, especialmente na oftalmologia.

Carreira

O interesse pela Oftalmologia

Patricia Bath demonstrou sua afeição pela oftalmologia desde o começo de sua formação, antes mesmo de ingressar na residência para se tornar uma especialista na área. O início de seu interesse pelo cuidado dos olhos teve a primeira demonstração logo após a formação na Universidade Howard. Após o período voluntariando na Poor People's Campaign, Bath voltou ao Harlem, em Nova Iorque, como estagiária no Harlem Hospital Center, onde existia uma parceria com a Universidade de Columbia.

Foi no Harlem que Bath detectou um proliferação de casos de cegueira no local. Essa observação levaria a médica a criar a sua primeira grande contribuição para a oftalmologia no mundo: a Oftalmologia Comunitária, um conceito que revolucionou a prevenção oftalmológica. Ela relembra:

Desde a sua descoberta, Bath foi persistente em fazer algo para ajudar a comunidade do Harlem. Sua obstinação foi tamanha que ela conseguiu convencer professores da Columbia University a operar pacientes cegos, de forma totalmente gratuita, em um hospital que nem realizava operações do tipo. Foi assim que ela participou da equipe que realizou a primeira cirurgia de olhos no Harlem Hospital, em novembro de 1969.

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Pioneirismo e história: a carreira acadêmica

Após completar a sua especialização na Universidade de Columbia, Patricia Bath migrou para o campo acadêmico, mostrando outra vez seu pioneirismo. Ainda em 1974, ela se mudou para Los Angeles, tornando-se a primeira cirurgiã afro-americana na história do Centro Médico da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). Na mesma instituição de ensino também foi professora assistente na Universidade Charles R. Drew, a Escola de Medicina da UCLA.

No ano seguinte, em 1975, a médica Patricia Bath se tornou a primeira mulher a entrar para o corpo docente do Instituto Jules Stein do Olho da UCLA. Em 1976, junto com três colegas de estudos, fundaram o Instituto Americano de Prevenção a Cegueira (AIPB), uma organização cuja missão é proteger, preservar e restaurar o poder da visão. Um dos principais trabalhos realizados hoje pela AIPB é o de oferecer programas de prevenção da cegueira para recém-nascidos em todo o mundo. A cegueira pode ser causada, por exemplo, por doenças como o sarampo; por isso, a AIPB oferece programas de vacinação contra essas doenças, além de vitaminas para crianças subnutridas.

O combate a catarata: a pedra fundamental de seu trabalho

Em 1981, Patricia Bath criou sua maior invenção: o Laserphaco Probe, que é uma abreviação para cirurgia de catarata fotossensível a laser. A invenção foi resultado de cerca de 5 anos de estudo, iniciados na Alemanha, onde a médica estudou e testou seu modelo de laser. Basicamente, o equipamento consistia em um instrumento que poderia remover, a lser, a catarata – uma das principais causas da cegueira.

Em 17 de maio de 1988 recebeu uma patente por sua invenção, tornando-se a primeira médica afro-americana a receber uma patente médica. Essa foi a maior contribuição da Dra. Patricia Bath, que antes disso, em 1983, desenvolveu e presidiu um programa de residência na Escola de Medicina da UCLA. Assim, ela foi a primeira mulher a presidir um programa de pós-graduação nos Estados Unidos até 1986.

Ela se aposentou da Universidade em 1993. Em 2001 a Dra. Patricia Bath foi introduzida ao International Women in Medicine Hall of Fame. A médica faleceu vítima de um câncer no dia 30 de maio de 2019, aos 76 anos, no Centro Médico da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

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