Outubro Rosa 2021: desafios do combate ao câncer na pandemia

Neste mês acontece a já tradicional campanha de conscientização ao câncer de mama; conheça os desafios trazidos pela pandemia.

  • 06/10/2021
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A fita rosa é o símbolo da campanha que conscientiza sobre o câncer de mama. (Fonte: iStock)

O calendário da saúde reúne datas ao longo de todos os meses, mas o final do ano sempre traz algumas das campanhas mais tradicionais e conhecidas do público. É o caso deste mês, com a campanha do Outubro Rosa, que tem como principal objetivo a conscientização acerca do câncer de mama.

No entanto, até mesmo uma das datas mais importantes para a saúde pública, tanto no Brasil quanto no exterior, também é afetada pelos reflexos da pandemia. Assim como aconteceu com outras campanhas de tratamento e prevenção à doenças, o Outubro Rosa e os cuidados com o câncer de mama foram duramente impactados pelo avanço da  COVID-19 no país.

Embora existam novos desafios que requerem atenção redobrada com os cuidados, na prevenção, diagnóstico e tratamento, a batalha dos profissionais da saúde contra o câncer de mama continua com o mesmo afinco de sempre. Por isso, é preciso ressaltar a campanha do Outubro Rosa ainda mais diante do atual cenário pandêmico.

Números do câncer de mama

Para entender a importância do Outubro Rosa é preciso conhecer os números da doença. Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), o câncer de mama é o mais incidente em mulheres em todo o mundo, com cerca de 2,3 milhões de novos casos estimados em 2020, ou 24,5% dos novos casos de câncer diagnosticados em mulheres.

No Brasil, o cenário se repete: depois do câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente nas mulheres brasileiras de todas as regiões. Para 2021, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 66.280 novos casos da doença em mulheres brasileiras, uma taxa de 43,74 casos por 100 mil mulheres no país.

Além disso, os números da mortalidade por câncer de mama também são alarmantes. A doença é a causa mais frequente de morte por câncer no mundo; só em 2020, foram estimados 684.996 óbitos em decorrência deste tipo de câncer, o que equivale a 15,5% dos óbitos por câncer em mulheres. No Brasil, o câncer de mama também é a primeira causa de morte por câncer em brasileiras, sendo a mais frequente em 4 das 5 regiões do Brasil.

Outubro Rosa: a campanha

Diante desses números preocupantes, a campanha para promover conscientização sobre a doença, celebrada durante o mês de outubro, vem ganhando cada vez mais força. Ao lado de datas como o Dia Mundial de Combate ao Câncer e o Novembro Azul, a campanha do Outubro Rosa se tornou uma das mais emblemáticas e importantes na luta contra o câncer, no Brasil e no mundo.

A campanha surgiu originalmente com o lançamento do laço rosa pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, que distribuiu aos participantes da Corrida pela Cura, um evento realizado nas ruas de Nova Iorque, logo no seu ano de estreia, em 1990. A partir disso, a cor se tornou um símbolo na luta contra o câncer de mama e, mais tarde, o mês de outubro foi adotado para carregar a campanha.

Entre os principais objetivos do Outubro Rosa, estão a conscientização sobre a importância de um diagnóstico precoce para pacientes com câncer de mama. O impacto da campanha vai desde a divulgação de informações sobre a doença até como realizar o autoexame e como saber quando é preciso procurar ajuda médica especializada.

O Outubro Rosa em 2021 vai ajudar a divulgar informações seguras e confiáveis sobre a doença, sempre reforçando a importância da detecção precoce do câncer de mama, uma vez que 95% dos casos da doença diagnosticados no início tem chance de cura. Além disso, a campanha também vai informar sobre a prevenção do câncer de mama, bem como de que forma é realizado o seu diagnóstico.

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O impacto da pandemia no combate ao câncer de mama

Em meio a esses números consideravelmente altos no Brasil, a dura realidade imposta pela pandemia de COVID-19 se tornou mais um inimigo nessa luta contra o câncer de mama. Em um dos países mais afetados do mundo, o impacto da falta de atendimento durante a pandemia pode ser medido em números.

De acordo com um levantamento do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), realizado em setembro deste ano, 47% das mulheres brasileiras deixaram de marcar consultas com ginecologistas e/ou mastologistas em função da pandemia de COVID-19. Como o diagnóstico precoce é um aliado fundamental no combate ao câncer, esses números são especialmente preocupantes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), fatores como a suspensão de procedimentos não urgentes e o medo de uma infecção por COVID-19 poderiam causar 50 mil novos casos de neoplasia sem diagnóstico no Brasil.

Com isso, especialistas apontam que os impactos causados pela pandemia ainda serão sentidos nos anos após a superação da COVID-19. Em entrevista ao portal da UFMG, a médica mastologista Nayara Carvalho de Sá, do Hospital Alberto Cavalcanti, estimou as consequências: "O diagnóstico parou de ser feito ano passado e isso impacta no atraso do tratamento e na evolução da doença, podendo levar a uma maior taxa de mortalidade, impacto na sobrevida e na morbidade desta paciente".

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