Olimpíadas e a saúde mental

Entenda os “twisties”, condição psicológica enfrentada por atletas, que ganhou visibilidade durante as olimpíadas de Tóquio.

  • 06/08/2021
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Olimpíadas e a saúde mental. (Fonte: iStock)

Nas olimpíadas de Tóquio 2020, realizada durante a pandemia de COVID-19, a saúde mental ganhou destaque entre os atletas e comitês internacionais. O assunto entrou em pauta quando um dos grandes nomes da competição, a ginasta norte-americana Simone Biles, desistiu da sua participação na final feminina de ginástica geral alegando a necessidade de “proteger sua saúde mental”.

Graças às entrevistas da ginasta de 24 anos, o termo “twisties” entrou em alta, uma vez que ela declarou que sofreu da condição após tentar dois twisties e meio, e acabar fazendo apenas um e meio, se perdendo no ar durante o movimento e experimentando uma perda dos sentidos. O evento gerou tamanha preocupação na ginasta que, para evitar o risco de prejudicar sua integridade física, ela renunciou sua participação na final por equipes.

A seguir, o Cognys agrupou as principais informações sobre a condição psicológica enfrentada por ginastas e o impacto que esportistas de alto rendimento sofrem em sua saúde mental, principalmente durante eventos de grande porte, como as olimpíadas. Confira.

O que são os Twisties?

A condição, comum entre atletas de ginástica artística e, principalmente, de trampolim, é uma espécie de confusão mental que ocorre quando as ginastas perdem a noção de tempo e espaço durante os movimentos realizados no ar. Devido ao fato de acontecerem no ar, os Twisties podem ser bastante perigosos.

Embora o ginasta saiba o movimento que vem a seguir, a condição causa uma desconexão entre o cérebro e o corpo, levando a uma perda de referências. Dessa forma, o corpo não corresponde aos comandos do cérebro, o que pode levar esses atletas a lesões sérias.

Além disso, os twisties têm relação direta com a saúde mental. Quando os níveis de ansiedade alcançam um quadro patológico, o esportista pode experienciar comprometimentos motores e físicos. Isso pode influenciar diretamente na capacidade de concentração, na noção espacial e na aptidão de manter a atenção durante os exercícios realizados e também após a realização deles.

Saúde mental no esporte

Nos jogos olímpicos os níveis de ansiedade experienciados pelos atletas podem exceder a normalidade. Quando esse estado de ansiedade aumenta, inclusive também em função de uma realidade pandêmica, os níveis de cortisol, noradrenalina e da adrenalina, hormônios associados ao estresse, se elevam ainda mais. Isso causa um processo agudo de inflamação no cérebro, que pode causar sérios impactos na saúde mental de diversas formas.

Após a declaração de Simone Biles, outros atletas de diferentes categorias e esportes iniciaram um movimento para falar sobre sua saúde mental e os impactos que o rendimento de alto nível, e por consequência alto nível de exigência, têm em suas condições psíquicas. 

Ansiedade e depressão foram os principais transtornos mentais citados em declarações feitas pelos atletas presentes nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Segundo eles, a constante pressão pelo desempenho, consumo de recordes, títulos e marcas, através da apresentação do atleta como uma espécie de herói, ultrapassam a possibilidade humana e provocam adoecimento.

As declarações iniciaram uma mudança consistente na forma com que é vista a saúde psíquica desses atletas. Assim, mudando a forma com que o público, profissionais da saúde, treinadores e os próprios esportistas pensam sobre si próprios e seus colegas, além de ressignificar o reconhecimento dos próprios limites

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Artigos e informativos

Confira os principais conteúdos sobre saúde mental de atletas em todos os níveis do esporte.

APA

Artigos publicados na renomada editora American Psychological Association (APA) relacionam a prática esportiva de alto rendimento com a saúde mental de atletas, avaliando a perspectiva olímpica e o impacto positivo da psicologia na contenção de impactos físicos e mentais, principalmente durante a pandemia de COVID-19.

“Uma demanda crescente por psicólogos do esporte”. Leia aqui.

“Como os psicólogos do esporte estão ajudando atletas olímpicos”. Leia aqui.

“Psicólogos do esporte lutam com atletas preocupados durante o COVID-19”. Leia aqui.

BMJ

Artigo publicado no British Medical Journal (BMJ) traz reflexões sobre o estado psicológico de atletas no esporte e a lição emitida por Simone Biles ao desistir de uma final olímpica em prol de sua saúde mental.

Leia o artigo completo aqui.

ABRAPESP (Associação Brasileira de Psicologia do Esporte)

A Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (ABRAPESP), com o apoio de outras entidades de psicologia, desenvolveu uma série de vídeos para debater a psicologia no esporte, onde serão abordados temas relacionados ao assunto, em relação à participação nos jogos olímpicos e ao esporte no Brasil.

Para assistir à série de vídeos, acesse o canal da ABRAESP no YouTube.

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