O uso do Paracetamol na Farmácia Clínica

Saiba como funciona e como é utilizado o Paracetamol e entenda como o Cognys Meds pode te ajudar na prescrição dele.

  • 10/06/2022
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O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados no alívio a dores agudas e crônicas. (Fonte: iStock)

O Paracetamol é um dos medicamentos mais conhecidos e utilizados do mundo, sendo uma referência no tratamento de dores crônicas e agudas. Embora seu uso seja amplo e bastante conhecido entre qualquer profissional, um bom farmacêutico clínico tem de estar atento a todos os detalhes relacionados ao seu uso.

Pensando nisso, o Cognys Meds preparou esse conteúdo destrinchando, ponto a ponto, o uso do Paracetamol na Farmácia Clínica. Confira a seguir as indicações mais comuns, os mecanismos de ação, além dos efeitos adversos e demais advertências em relação a este medicamento.

Além disso, o Cognys Meds apresenta também como acontece a parte prática ao prescrever um Paracetamol, desde a administração até como fazer a melhor comunicação ao paciente e como monitorá-lo adequadamente.

Farmacologia Clínica do Paracetamol

Indicações do paracetamol

O paracetamol é um dos medicamentos mais indicados contra a dor crônica e aguda, sendo considerado um analgésico de primeira linha e servindo como base do tratamento na escada analgésica da Organização Mundial da Saúde (OMS), seguido por opioides fracos e depois fortes. Além disso, o paracetamol é um antipirético capaz de reduzir sintomas associados à febre, como calafrios, e a própria febre.

Ferramentas de Ação

No que diz respeito aos mecanismos de ação, o paracetamol não tem um perfil totalmente compreendido. O que se sabe é que o fármaco é um inibidor fraco da ciclo-oxigenase (COX), uma enzima envolvida no metabolismo de prostaglandinas.

Com isso, a inibição da COX no sistema nervoso central, parece aumentar o limiar de dor, reduzindo as concentrações de prostaglandina (PGE2) na região termorreguladora do hipotálamo, o que leva ao controle da febre.

Embora o paracetamol tenha uma seletividade pela COX-2 (isoforma induzida na inflamação) e nem tanto pela COX-1 (isoforma que protege a mucosa gástrica e regula o fluxo sanguíneo renal e a coagulação), é considerado um anti-inflamatório fraco. Isso porque suas ações são inibidas em lesões inflamatórias com a presença de peróxidos.

Efeitos adversos consideráveis

Quando utilizado em doses terapêuticas, o paracetamol é considerado um fármaco bastante seguro, com poucos efeitos adversos. A ausência de inibição da COX-1 não permite que o paracetamol cause ulceração péptica ou insuficiência renal ou precipita eventos cardiovasculares (diferente dos anti-inflamatórios não esteroides [AINEs]). Sua segurança, inclusive, é o principal fator para que ele seja a escolha mais popular como analgésico de primeira linha.

No entanto, ainda assim, é importante que o farmacêutico esteja atento aos efeitos adversos mais importantes causados pelo medicamento. Em overdose, o paracetamol causa falência hepática. Por ser metabolizado por enzimas do citocromo P450 em em um metabólito tóxico (N-acetil-p-benzoquinona imina [NAPQI]) - conjugado com glutationa antes de ser eliminado - em casos de overdose essa via de eliminação é saturada e a acumulação de NAPQI causa necrose hepatocelular. A hepatotoxicidade é prevenível fazendo o tratamento com acetilcisteína.

Advertências

O paracetamol possui uma grande advertência, que se mostra particularmente importante quando o medicamento é aplicado via infusão intravenosa. A dose deve ser reduzida em pessoas com risco elevado de toxicidade hepática, tanto por causa do aumento da produção de NAPQI quanto por causa do estoque baixo de glutationa.

Como exemplos do primeiro caso (elevada produção de NAPQI) podemos citar o uso excessivo crônico de álcool, que induz enzimas metabolizadoras. Já no segundo caso (estoque reduzido de glutationa) podemos citar a má nutrição, peso corporal reduzido, especialmente abaixo de 50kg, e insuficiência hepática grave.

Interações medicamentosas

Um outro fator importante sempre presente na farmacologia clínica é observar e entender as interações medicamentosas mais importantes dos medicamentos. No caso do paracetamol, existem poucas interações clinicamente significativas entre ele e outros medicamentos. Mas é bom estar atento a indutores do citocromo P450, como fenitoína e carbamazepina, que aumentam a produção de NAPQI e o risco de toxicidade hepática depois de uma overdose de paracetamol.

Além disso, para automatizar e facilitar o processo de análise de interações medicamentosas, trazendo agilidade e eficiência para a prática clínica farmacológica, o Cognys Meds conta com uma ferramenta exclusiva de Interações Medicamentosas, que vai alertar possíveis conflitos e riscos em interações de fármacos presentes na sua Lista de Medicamentos do Paciente (LIMPA).

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Prescrição prática do Paracetamol

Prescrição

O paracetamol é um medicamento que pode ser vendido sob prescrição, mas que também está na "lista de vendas gerais", ou seja, pode ser adquirido em qualquer loja. Em casos de pacientes com dificuldades de tomar a medicação via oral, existem as versões administradas por infusão IV ou retal.

Independente da via, a dose padrão de adulto é de 0,5 g a 1 g a cada 4 ou 6 horas, com um máximo permitido de 4 g por dia. O paracetamol é um medicamento que pode ser prescrito tanto para uso regular, quanto para administração conforme necessidade, dependendo do tipo de dor relatada pelo paciente. É válido ressaltar que em casos de administração conforme necessária, a dose diária máxima deve ser sempre explicitada.

Administração

O paracetamol está disponível em cinco formas diferentes para o uso fora do ambiente hospitalar, são eles: comprimidos, comprimidos revestidos, comprimidos solúveis, cápsulas e suspensão oral.

Já o paracetamol intravenoso, reservado para uso em ambiente hospitalar, deve ser pré-preparado como uma solução que deve ser infundida não diluída por 15 minutos ou diluída em cloreto de sódio 0,9% ou, ainda, em solução de glicose 5% antes de sua administração.

Comunicação

O papel do farmacêutico clínico é muito mais do que determinar qual medicamento, mas explicar o porquê do uso do medicamento, como ele deve ser utilizado e o que pode ocorrer durante o uso. Por isso, na farmácia clínica é fundamental saber como comunicar a sua prescrição.

No caso do paracetamol, é sempre importante deixar claro que a prescrição é para reduzir ou aliviar a dor e que os efeitos do medicamento devem ser notados a partir de 30 minutos após a sua administração. Quando se tratar de um uso regular, ressalte a importância de tomá-lo nas vezes ao dia que foram determinadas, sempre respeitando os horários.

Outro alerta importante é o da dose máxima diária e a importância de respeitar esse limite por conta do risco de intoxicação hepática. Uma outra dica valiosa é informar que vários medicamentos regularmente vendidos em farmácias contêm paracetamol. Em caso de dúvidas, as mesmas devem ser esclarecidas com o farmacêutico.

Monitoramento

No caso do paracetamol, o monitoramento é parte importante para um tratamento eficaz da dor. Para medir a eficácia do controle da dor, é possível estabelecer uma investigação sobre os sintomas ou usar uma escala de dor, como a escala visual análoga.

Em caso de dores agudas, revise a resposta ao paracetamol em 1 a 2 horas após a dose oral. Em casos de dores crônicas, agende uma revisão para avaliar uma possível redução ou aumento da escada analgésica. Em casos de overdose, testes sanguíneos (razão normalizada internacional e atividade sérica da alanina aminotransferase) são requeridos para estabelecer a eficácia do tratamento com acetilcisteína e calcular a necessidade de tratamento adicional.

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