O uso da acetilcisteína na Farmácia Clínica

Saiba como funciona e como é utilizada a Acetilcisteína e entenda como o Cognys Meds pode te ajudar em sua prescrição.

  • 04/07/2022
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O uso da acetilcisteína na Farmácia Clínica. (Fonte: iStock)

A pandemia de COVID-19 foi responsável por intensificar doenças respiratórias preexistentes e trouxe sequelas para grande parte dos impactados pela doença. Os primeiros sintomas relacionados à doenças foram tosse seca, febre, dor no peito, falta de ar entre outros. No entanto, conforme foram surgindo novas cepas, o vírus foi se modificando e seus sintomas também, a ponto de não ser possível diferenciar o que é um simples resfriado, uma gripe ou a doença causada pelo novo coronavírus.

Com isso, muitas pessoas começaram a buscar remédios para tratar os seus sintomas, sejam eles de resfriado, gripe ou COVID-19, chegando a esgotar medicamentos nas farmácias. Um dos medicamentos procurados para a tosse produtiva é a acetilcisteína. Atuando como um medicamento acessível, disponível como genérico e custo  relativamente baixo, o medicamento tem também outras funções importantes no âmbito da farmácia clínica.

Pensando nisso, o Cognys Meds preparou esse conteúdo destrinchando, ponto a ponto, o uso da Acetilcisteína na Farmácia Clínica. Confira a seguir as indicações mais comuns, os mecanismos de ação, além dos efeitos adversos e demais advertências em relação a este medicamento e outras informações extras.

Farmacologia Clínica da Acetilcisteína

Indicações do Acetilcisteína

A Acetilcisteína ou N-acetilcisteína é comumente utilizada para fluidificar secreções respiratórias, atuando como um mucolítico para a tosse produtiva. Embora essa seja a utilização mais comum do medicamento, ele pode ser também utilizado na prevenção de danos renais causados pelo contraste radiográfico, conhecido como nefropatia por contraste. Além disso, o medicamento tem importante atuação como antídoto para casos de intoxicação por Paracetamol.

Ferramentas de ação

No que tange os mecanismos de ação, a Acetilcisteína possui efeito antioxidante, auxiliando na prevenção da citada anteriormente nefropatia por contraste. Quando em contato com secreções respiratórias o medicamento ajuda na limpeza da secreção e possibilita que a mesma se liquefaça.

Quando utilizado em doses terapêuticas, o Paracetamol é metabolizado, e parte dele é convertido N-acetil-p-benzoquinona (NAPQI), que causa danos ao fígado.  No caso de intoxicação pelo medicamento, essa substância que seria detoxificada rapidamente devido à sua conjugação com a glutationa, fica livre para causar a intoxicação hepática. Nesse momento, a acetilcisteína é utilizada para restabelecer as reservas de glutationa do organismo.

Efeitos adversos consideráveis

Quando utilizada em caso de intoxicação por Paracetamol, a administração da Acetilcisteína em altas doses pode causar uma reação anafilactoide. Essa reação se assemelha a uma reação anafilática, que está associada a sintomas como taquicardia, enjoo, erupções cutâneas e chiados, mas apresenta liberação de histamina. 

Após a reação ter se resolvido com auxílio de um anti-histamínico, torna-se seguro seguir com a administração de Acetilcisteína, só que agora de forma mais lenta. É importante ressaltar que, em casos de nebulização como mucolítico, sua administração pode resultar em broncoespasmos, que pode ser evitado com um broncodilatador previamente administrado.

Advertências

Quando o paciente apresenta histórico de reações anafilactoides à Acetilcisteína, não se torna inviabilizada a sua utilização no futuro, em caso de necessidade. Isso significa que essas reações não devem ser consideradas como alérgicas, uma vez que ser considerada desta forma pode negar a sua utilização para casos de intoxicação por paracetamol, impedindo que haja um tratamento eficaz com o medicamento.

Em casos específicos são necessários aconselhamentos acerca de sua utilização, para que sejam evitadas quaisquer complicações.

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Interações medicamentosas

Não são observadas interações medicamentosas adversas significativas na utilização da Acetilcisteína.

Prescrição prática da Acetilcisteína

Prescrição

Intoxicação por paracetamol - doses são ajustadas de acordo com o peso, através de infusão intravenosa. Deve-se consultar o British National Formulary (BNF) ou protocolos locais para garantir mais detalhes para sua utilização.

Nefropatia por contraste - Para atuar em sua profilaxia, devem ser analisadas diretrizes locais.

Usualmente, a dose mais comum é de 600 a 1.200 miligramas por via oral a cada 12 horas durante 2 dias. No entanto, o tratamento precisará necessariamente ter início  no dia que antecede o procedimento.

Secreções respiratórias persistentes - É recomendada a dosagem de 2,5 a 5 miligramas da acetilcisteína (solução) 10% a cada 6 horas, consultando as diretrizes de protocolos locais.

Administração

No caso da administração de acetilcisteína por conta de intoxicação por paracetamol, podem ser observadas instruções específicas para sua administração na bula do remédio ou de forma on-line no Bulário Cognys. A ferramenta permite que você fique por dentro de todas as informações mais relevantes sobre medicamentos.

Já no caso de sua utilização como um mucolítico, deve-se diluir 20% da solução intravenosa em 10% de solução antes de sua administração.

Comunicação

O paciente deve sempre ser informado sobre o tratamento como um antídoto para o paracetamol. Sua administração será realizada através de gotejamento, de forma lenta, por até 21 horas. Caso a administração da Acetilcisteína seja realizada nas primeiras 8 horas subsequentes à superdosagem, a informação passada ao paciente será de que será um tratamento muito eficaz, evitando lesões graves ao fígado. Deve-se enfatizar a importância de dar continuidade ao tratamento de forma correta, sem interrupções, mesmo que seja cansativo estar 8 horas conectado à medicação. Importante informar também que efeitos colaterais como náuseas, erupções cutâneas ou estertor podem ocorrer e devem ser informadas à equipe, para que possam ser definidas novas alternativas.

Monitoramento

Em relação aos pacientes sendo tratados para a intoxicação por Paracetamol, o monitoramento deverá ser realizado com o objetivo de avaliar sinais de reações anafilactoides. Devem ser medidas as concentrações de creatina, atividade sérica da alanina aminotransferase (ALT) e da razão normalizada internacional (INR), ao começar e finalizar a administração da acetilcisteína.

Bulário Cognys

Estar bem informado e atualizado em relação aos melhores medicamentos é fundamental na prática de qualquer farmacêutico. É pensando nisso que o Cognys Meds oferece o Bulário Cognys, uma ferramenta exclusiva que reúne todas as bulas - tanto profissionais quanto dos pacientes - disponibilizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sempre atualizadas e recentes.

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