O perigo fora dos grupos de risco da COVID-19

Casos de COVID-19 em jovens crescem, internação em UTI bate recorde e especialistas pedem por um alerta amplo.

  • 22/04/2021
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Novo cenário da pandemia no Brasil traz pessoas de até 40 anos como maioria nas UTIs. (Fonte: iStock)

Mais de um ano após o início da pandemia, o mundo segue enfrentando a COVID-19, enquanto reúne esforços para que a vacinação seja ampliada cada vez mais, chegando ao mundo e garantindo o fim da pandemia. Nesse momento, enquanto alguns países avançam na imunização, outros lidam com os piores momentos da pandemia.

Infelizmente o que o Brasil tem vivido é o segundo cenário. Apesar de mais de 1 ano do enfrentamento à doença causada pelo novo coronavírus, o país ainda registra um número altíssimo de casos e óbitos pela COVID-19 todos os dias. Enquanto a vacinação no país avança a passos lentos, os especialistas tentam atentar a um novo risco.

Enquanto no início da pandemia os grupos de risco eram uma grande preocupação pela alta da letalidade da doença nestes casos, a nova onda da COVID-19 no Brasil traz um perfil ainda mais perigoso. Por isso, é importante estar atento ao novo comportamento da infecção para muito além dos conhecidos grupos de risco.

Nova realidade: pessoas de até 40 anos são maioria nas UTIs


Dados da Amib mostram que internações de pessoas com até 40 anos cresceu 8% nos últimos meses. (Fonte: iStock)

Um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) mostra a mudança no perfil dos casos graves de COVID-19: em março deste ano, 52% das internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) foram de pessoas com até 40 anos.

Este percentual foi um novo marco na luta contra a COVID-19 no Brasil, sendo o mais alto registrado nessa faixa etária até o momento. Em um levantamento anterior, entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, os pacientes de até 40 anos correspondiam a 44% dos pacientes nas UTIs.

No entanto, em março deste ano houve um aumento de 8% que fez com que os pacientes com até 40 anos se tornassem maioria na ocupação dos leitos de UTI. “Os mais jovens ou por terem mais reserva cardíaca e respiratória melhor eles podem demorar mais para ter sintomas, então quando chegam ao hospital já estão em estado mais avançado das doenças”, pontuou a presidente da Amib, Suzana Lobo.

Comportamento de risco no lugar de grupo de risco


Especialistas alertam: comportamentos de risco, como uso do transporte público, são determinantes. (Fonte: iStock)

No primeiro momento da pandemia, para tentar controlar os casos graves e conter a alta no número de óbitos foram estabelecidos grupos que corriam maior risco de contrair a forma grave da doença. Fazem parte destes grupos pessoas com mais de 60 anos, com outras doenças e comorbidades, além de pessoas com doenças crônicas, como pressão alta e outras doenças cardiovasculares.

Foi assim que foram traçadas diversas estratégias de distanciamento social e a mesma lógica foi utilizada no Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, para aplicar as primeiras doses das vacinas contra a COVID-19. Todas essas classificações dos grupos de risco têm base científica e foram um embasamento sólido para as políticas públicas aplicadas.

No entanto, no atual momento da pandemia, os grupos de risco da COVID-19 parecem não ser mais um fator tão determinante para definir as chances de desenvolver a forma mais grave da doença. O Portal G1 ouviu três especialistas que confirmam: no atual cenário, pode fazer pouco sentido falar em grupos de risco. Ao invés disso, os especialistas pedem atenção aos comportamentos de risco.

A infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi, esclarece: “Em termos de adoecimento, não existe mais grupo de risco. Hoje vemos um maior número de pessoas abaixo de 60, de 50 anos, sendo internadas. Isso ocorre muito por causa da exposição maior, quer seja para trabalho, quer seja nas reuniões e encontros”.

Também é importante a mudança na abordagem para que a população se conscientize da importância de seguir as medidas de distanciamento social para diminuir a circulação do vírus. “Precisamos comunicar essa mudança no perfil dos pacientes com Covid-19. Com as novas variantes, os jovens estão adoecendo mais, estão internando mais, com a forma mais grave da doença, mesmo sem comorbidades”, afirma Ethel Maciel, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Segundo os especialistas, alguns fatores contribuem para esse novo cenário. Enquanto as novas variantes do SARS-CoV-2 mudaram o perfil da doença entre os jovens, a vacinação já protege os mais idosos. “Hoje é exceção à regra eu atender pacientes acima de 75 anos. Os casos ainda existem, mas a imensa maioria dos pacientes dessa faixa acaba pegando a doença entre as doses de vacina”, afirma Rosana Ritchmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas.

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