O paciente de São Paulo: Brasil pode ter 3º curado do HIV

Conheça a pesquisa brasileira que pode ter curado um homem do HIV.

  • 15/07/2020
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O vírus HIV atinge cerca de 38 milhões de pessoas no mundo todo, segundo a UNAIDS. (Fonte: iStock)

A ciência acredita que o vírus HIV surgiu no começo do século XX, no centro-oeste da África. A AIDS, doença causada pelo vírus, foi reconhecida pela primeira vez em 1981, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Desde então, a AIDS foi considerado uma pandemia e até hoje se espalha por todo o mundo.

A estimativa é que, em 2019, existiam cerca de 38 milhões de portadores do vírus HIV no mundo todo, de acordo com a UNAIDS. Os números no Brasil são igualmente alarmantes: segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que 866 mil pessoas vivem no país com o vírus, além disso cerca de 135 mil sequer sabem que estão infectados pelo vírus.

Por conta disso, a busca pela cura da AIDS tem sido um dos grandes objetivos da medicina desde o fim do século passado. Embora o tratamento do AIDS tenha evoluído muito e o tratamento brasileiro oferecido pelo SUS seja referência mundial, a ciência do país também segue na corrida por uma cura para a doença.

O tratamento da Unifesp

Neste sentido, uma das pesquisas referências na ciência brasileira é a realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que ganhou destaque com um resultado animador: um paciente que está há 17 meses sem o vírus. O resultado do estudo foi apresentado na  23ª Conferência Internacional de AIDS.

A pesquisa da Unifesp foi feita com 30 pacientes soropositivos, sendo necessário que todos estivessem em tratamento com o coquetel antirretroviral e com os medicamentos funcionando há pelo menos 2 anos. A partir disso, os pacientes foram divididos em 6 grupos com 5 pessoas cada, onde cada grupo, além de manter o tratamento padrão com o coquetel, recebeu uma combinação diferente de medicamentos.

Destes 6 grupos, um se destacou: o que recebeu os antirretrovirais Dolutegravir (DTG) e Maraviroc. Este mesmo grupo também recebeu doses de Nicotinamida e Auranofina. A ideia era que esses medicamentos pudessem atuar em vários níveis contra o vírus. Principalmente, estimulando a imunidade do organismo e fazendo com que o HIV ficasse detectável pelo sistema imunológico, para que os pacientes produzissem anticorpos capazes de atacar o vírus.

Foi deste grupo que surgiu um resultado exponencial: o brasileiro “curado” do HIV. Os pesquisadores pedem cautela para usar o termo: “Ainda não sabemos se ele está curado. Vamos refazer a pesquisa, usando os medicamentos que observamos que funcionaram melhor, e com um novo grupo de pacientes”, afirma Ricardo Sobhie Diaz, médico infectologista, coordenador do estudo e diretor do Laboratório de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Unifesp.

Fato é que o resultado da pesquisa é “bastante promissor”, como classifica o médico infectologista Valdez Madruga, coordenador do comitê de HIV da Sociedade Brasileira de Infectologia. Para o especialista, “Se um paciente em cinco está livre do vírus, isso significa uma taxa de 20% de sucesso. Se esse tratamento foi capaz de curar uma pessoa, há esperança para outras pessoas que possam entrar nessa mesma circunstância”.

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O paciente de São Paulo


O paciente de São Paulo pode se tornar apenas a 4ª pessoa no mundo curada do HIV. (Fonte: iStock)

O chamado paciente de São Paulo prefere manter sua identidade em anonimato, sabendo-se apenas que se trata de um homem de 34 anos que está há 17 meses sem ter o vírus detectado em seu organismo. A alcunha recebida por ele segue os passos dos outros três casos no mundo considerados como cura erradicativa.

O paciente de Berlim foi curado em 2007, na Alemanha, após receber um transplante de medula óssea de uma pessoa que não produz uma proteína essencial para a reprodução do HIV. O mesmo aconteceu com o paciente de Londres, em 2019, quando também graças um transplante de medula óssea um homem foi curado do HIV na capital inglesa. O terceiro caso passou pelo mesmo procedimento e aconteceu em Düsseldorf, na Alemanha.

Agora, o paciente de São Paulo pode ser o primeiro brasileiro curado do HIV e comprovar uma eficácia inédita no tratamento brasileiro desenvolvido pela Unifesp. Por ser o primeiro tratamento fazendo uso apenas de medicamentos, em caso de erradicação do vírus o método da Unifesp pode ser uma nova alternativa em direção à cura do HIV.

A pesquisa segue adiante para a próxima fase. Além dos 30 pacientes já integrados ao estudo, a segunda fase contará com outros novos 30 pacientes e deve começar até o final de 2020. Os primeiros resultados devem aparecer já nos primeiros seis meses, de acordo com Ricardo Sobhie Diaz, coordenador do estudo da Unifesp.

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