COVID-19 prolongada: como e por que acontece?

A forma prolongada da doença acontece em cerca de 10% dos casos; conheça o que a ciência já sabe sobre COVID-19 longa.

  • 07/07/2021
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Conheça como atua a COVID prolongada e o que pode estar por trás das causas. (Fonte: iStock)

A pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 se espalhou rapidamente desde o início do ano passado, tornando- se uma realidade inevitável ao redor do mundo. Apesar disso, algumas pessoas foram atingidas de maneira mais dura pela doença. Além das quase 4 milhões de mortes que já foram causadas pela COVID-19, há um inimigo menos letal, mas muito mais presente.

Trata-se da COVID-19 prolongada, uma forma da doença que tem se mostrado cada vez mais comum e que vem preocupando especialistas em todo o mundo, especialmente pelas possíveis sequelas ainda serem desconhecidas. Atualmente, estima-se que 1 em cada 10 pacientes apresentará sintomas 12 semanas após a recuperação da COVID-19.

Passados mais de 1 ano desde o início da pandemia, a ciência começa a entender melhor este cenário. Hoje já é possível identificar a COVID longa, sintomas persistentes e diferenciais casos leves e moderados da forma prolongada da doença.

Para Melissa Heightman, criadora da primeira clínica de reabilitação pós-COVID-19 do Reino Unido, localizada no Hospital da Universidade College London (UCLH), esses pacientes agora são a prioridade no próximo passo ao combate à COVID-19. "A maioria dos hospitais não conseguia vê-los facilmente, porque não tinha orçamento para abrir uma clínica pós-Covid dedicada a isso. Mas agora eles são nosso foco principal", garante.

Confira a seguir uma coletânea com alguns casos, quais os sintomas prolongados mais comuns e como a infecção viral pode se tornar uma doença a longo prazo.

Divisões em dois grupos

Um ponto a ser ressaltado é que hoje os especialistas já chegaram a um consenso: para melhor diagnosticar e tratar os pacientes com COVID longa é preciso separá-los em dois grupos. Aqueles que foram hospitalizados e aqueles que não foram hospitalizados. Isso porque estes grupos são diferentes, inclusive nas causas da COVID prolongada.

Grupo 1: pacientes hospitalizados

O primeiro grupo, de pacientes que foram hospitalizados, apresenta um quadro clínico mais simples de ser administrado pelos médicos. Nesses casos, os pulmões e corações dos pacientes com COVID-19 prolongada foram danificados, seja pela grave infecção viral ou pela tempestade de citocinas causadas pela doença.

Nesses casos, exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética são precisos em detectar a extensão do dano causado pela doença. Dessa forma, medicamentos são mais facilmente recomendados para tratar inflamações internas e combater sintomas após a COVID-19.

Tudo isso facilita o processo, como indica Heightman. Ela aponta que a maior parte (cerca de 66%) dos pacientes que foram hospitalizados durante a COVID-19 e estão em sua clínica para tratamento da COVID longa, se recuperam bem. Ela aponta que os outros 33% apresentam melhoras cerca de seis meses depois.

Além disso, ela afirma que a expectativa é que “a grande maioria desses pacientes melhore a ponto de não ficar com problemas que limitem suas vidas”. “Esperamos que menos de 10% dos que ficaram na UTI por muito tempo fiquem com alguma anormalidade cardíaca ou pulmonar permanente”, afirma.

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Grupo 2: pacientes não hospitalizados

No entanto, o segundo grupo, de pacientes que não ficaram hospitalizados em função da COVID-19, apresenta um quadro clínico mais delicado e preocupante. Segundo Heightman, a maioria desses pacientes tem entre 35 e 49 anos e relata uma gama bem diversa de sintomas, que chegou a 98 itens em uma lista elaborada em um estudo.

Entre os sintomas mais recorrentes estão névoa cerebral, distúrbios do sono, dor no peito, dores musculares e nas articulações, nova sensibilidade a cheiros e sabores, além de uma fadiga crônica. Todos esses sintomas estão presentes meses após o fim da infecção por COVID-19 e podem durar 1 ano ou até mais, segundo Heightman.

Um estudo recente, realizado pela Patient-Led Research Collaborative (PLRC), mostra que de 3.762 pacientes com COVID-19 prolongada mostrou alguns dos sintomas mais comuns. De acordo com o estudo, 77% dos pacientes ainda apresentavam fadiga após seis meses,  72% sentiam mal-estar após esforço, 55% apresentavam disfunção cognitiva e 36% das pacientes do sexo feminino tinham problemas com o ciclo menstrual.

A pesquisa também indicou que muitos pacientes com COVID longa do grupo 2 apresentam sintomas que aparecem e desaparecem em 3 ondas diferentes. Para Hannah Wei, uma das lideranças da PLRC: "Isso é o mais preocupante, porque essa onda de sintomas só continua a piorar gradualmente, atingindo o pico por volta dos quatro meses, e depois continua", afirma.

Por que acontece?

O que causa essas alterações segue como uma das grandes questões a serem respondidas durante a pandemia. Por enquanto, o que se sabe é que doenças crônicas após infecções virais graves são mais comuns do que se imagina. “O fenômeno de pessoas que desenvolvem sintomas crônicos após um surto infeccioso não é novo”, explica Amy Proal, microbióloga e diretora da PolyBio Research Foundation, que estuda as causas de doenças inflamatórias crônicas.

Por isso, ao menos por enquanto, a melhor hipótese com que a comunidade científica trabalha consiste na ideia de que o corpo humano não consegue expelir completamente o vírus SARS-CoV-2 do corpo. Assim, resquícios dele ficam por longos períodos armazenados, causando outros sintomas, como os observados na COVID-19 prolongada.

“Se o vírus Sars-CoV-2 não fizesse isso, seria praticamente a única vez documentada em que um patógeno importante não resultou em casos crônicos. Há uma grande quantidade de estudos, que foram negligenciados pela principal corrente da comunidade médica, mostrando como os organismos infecciosos podem persistir nos tecidos e contribuir para os processos de doenças. Alguns vírus são altamente neurotróficos, o que significa que podem penetrar nos nervos e se esconder lá, e há evidências de que o Sars-CoV-2 (causador da Covid-19) é capaz disso”, afirma Proal.

Além disso, a comunidade científica trabalha em outras correntes de pensamentos para analisar quais podem ser as outras causas de manifestação da COVID-19 longa. Algumas das outras hipóteses trabalhadas vão de algo no vírus estimula o sistema imunológico a atacar o próprio tecido, como acontece em doenças autoimunes, até uma possibilidade do SARS-CoV-2 estar reativando vírus que até então estavam latentes no corpo por anos ou até mesmo décadas.

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