Conheça Elizabeth Blackwell, a primeira médica

Conheça os avanços realizados pela médica que abriu portas para uma nova geração de mulheres na medicina

  • 12/02/2021
  • 0
  • 0
  • 7
Favoritar
A inglesa Elizabeth Blackwell foi a primeira mulher a se formar em medicina. Conheça sua história e seu legado para as futuras médicas.

“Se a sociedade não admite o livre desenvolvimento da mulher, então a sociedade deve ser remodelada.” - Elizabeth Blackwell

A medicina, atualmente, é um campo diverso, ocupado por homens e mulheres, pessoas de diversas culturas, religiões e crenças. No Brasil, por exemplo, as mulheres correspondem a maioria dos profissionais da área médica, segundo a última Demografia Médica. E essa tem sido uma tendência que só vem se acentuando.

Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo na história, o campo da medicina foi constituído única e exclusivamente por homens. Embora mulheres já se envolvessem com a área desde os primórdios da sociedade, como curandeiras e parteiras, seu estudo ficava restrito a conhecimentos adquiridos de forma informal, fora de universidades e desprovidos de diplomas.

O cenário começou a mudar quando a primeira mulher foi aceita em uma faculdade de medicina. Elizabeth Blackwell, considerada transgressora de acordo com opiniões sociais da época, se tornou um marco essencial para a inclusão de médicas no mercado de trabalho masculino.

Conheça a história e as contribuições da primeira médica graduada na profissão e o legado deixado para as mulheres que vieram depois dela.

A história

Nascida em Bristol, no Reino Unido, no dia 03 de fevereiro de 1821, Elizabeth Blackwell emigrou junto de sua família para os Estados Unidos muito nova. Sua trajetória na medicina se iniciou após uma amiga muito próxima da família contar que teria sido poupada de seu pior sofrimento se tivesse sido tratada por uma médica mulher, antes de falecer terminalmente. A perda incentivou Elizabeth a iniciar, aos 26 anos, suas diversas tentativas de ingressar na faculdade de medicina. 

Após 12 tentativas frustradas, sendo recusada em todas elas, finalmente foi admitida na 13ª, para a turma de 1847 da Geneva Medical College, na zona rural de Nova York. No entanto, sua admissão apenas foi aceita graças a uma piada. Por ser formado por um corpo de docente exclusivamente masculino, votaram a favor de sua admissão acreditando que os alunos nunca concordariam em ter uma mulher dentre eles.

Em se tratando de um período extremamente patriarcal na história, seu ingresso gerou grande desconforto entre alunos e professores. Muitos foram contrários à sua decisão de seguir na carreira médica, tornando ainda mais desafiadora sua permanência no curso. No entanto, a resistência sofrida por Elizabeth serviu de incentivo para que se destacasse dentre os demais estudantes, tirando as melhores notas e graduando-se em primeiro lugar em sua classe, no ano de 1849.

No entanto, mesmo após se formar na Universidade e finalmente receber o diploma de medicina, tornando-se a primeira mulher a recebê-lo, os desafios não cessaram. 

Cadastre-se gratuitamente no Cognys e tenha uma experiência personalizada com nossos conteúdos!
Já tem uma conta? Faça login.

Desafios

Ao sair da universidade, Elizabeth encontrou outro obstáculo. Ser a primeira mulher diplomada lhe rendeu descrédito, desconfiança e preconceito, dificultando ainda mais seu sonho de se tornar uma cirurgiã.

Além da dificuldade em conseguir se estabelecer em hospitais e clínicas, a médica precisou enfrentar também a desconfiança de pacientes sobre seus conhecimentos e sua capacidade de exercer a medicina.

Elizabeth, então, mudou-se para a Europa, onde seguiu seu treinamento na medicina em hospitais de Londres e Paris, estudou e se especializou em obstetrícia em La Maternité, e onde viveu um dos maiores obstáculos de sua vida. Ainda jovem, Blackwell contraiu oftalmia purulenta, levando a médica a perder a visão de um dos olhos e a ter que abrir mão de sua carreira na cirurgia.

Contribuições e legado

Após a descoberta da doença, a médica retornou a Nova York, onde abriu uma Enfermaria para Mulheres e Crianças de Nova York (New York Infirmary for Indigent Women and Children), em 1857, junto a sua irmã Emily que se graduou em medicina logo após Elizabeth. Seu principal objetivo com a clínica, além de tratar mulheres pobres, era de fornecer cargos exclusivamente à mulheres médicas.

Mais tarde, em 1868, ela e sua irmã fundaram a instituição de ensino chamada Women’s Medical College of the New York, onde lecionou ginecologia e obstetrícia e transformaram o período de graduação de dois para quatro anos, graduando cerca de 364 médicas pelos 31 anos em que a instituição existiu.

Após anos de trabalho para garantir o estudo e aperfeiçoamento da medicina para mulheres, o declínio de sua saúde levou Elizabeth Blackwell a se afastar da prática da medicina. Mas seu trabalho não parou por aí. A médica continuou atuando em causas relacionadas à saúde, medicina e feminismo, onde passou suas duas últimas décadas de vida.

O trabalho lhe rendeu a publicação de livros e panfletos relacionados à saúde. E um dos mais famosos “Pioneer Work in Opening the Medical Profession to Women”, publicado no ano de 1895, a doutora relatou sua história na medicina e suas principais realizações e motivações na área.

Depois de uma vida de contribuições que abriram portas para uma nova geração de mulheres na medicina, Elizabeth faleceu em casa, no dia 31 de maio de 1910, em Hastings, na Inglaterra.

Cognys
Cognys

O Cognys é uma solução digital completa, que entrega para o profissional da área de saúde os mais importantes recursos para ajudá-lo em sua rotina diária e aprimoramento constante.

COGNYS
MEDICINA
primeira medica
ginecologia e obstetricia