Butanvac: a primeira vacina brasileira da COVID-19

Saiba tudo sobre a primeira vacina contra a COVID-19 desenvolvida totalmente no Brasil, pelo Instituto Butantan.

  • 31/03/2021
  • 0
  • 0
  • 0
Favoritar
O Instituto Butantan anunciou a produção de uma vacina 100% brasileira. (Fonte: iStock)

O mundo segue travando uma batalha contra a COVID-19, com o cenário parecendo cada vez mais favorável para frear o contágio da doença e, enfim, vencer a pandemia que dura mais de 1 ano. Apesar disso, ainda é difícil determinar com precisão quando a pandemia deve chegar ao fim.

Em todo caso, a prioridade global no que diz respeito ao combate à COVID-19 tem sido a vacinação em massa das populações ao redor do mundo. Alguns países, como Estados Unidos e Reino Unido, já registraram marcas expressivas de vacinação e avançam para imunizar o restante da população dentro dos próximos meses.

No Brasil, o cenário da COVID-19 corre um pouco na contramão do mundo. Vivendo o pior momento da pandemia, mesmo mais de 1 ano após o seu início, o país tenta conciliar as medidas de mitigação do vírus com a vacinação.

Vacinação no Brasil


A vacinação no Brasil pode ganhar uma importante aliada com a Butanvac. (Fonte: iStock)

Diante do cenário brasileiro, qualquer ajuda no que diz respeito à vacinação é bem-vinda no país. A imunização ainda caminha em passos lentos, mas o cenário apresentou algumas melhoras recentemente. Na última segunda-feira (29), o país tinha inoculado pelo menos uma dose de vacina contra a COVID-19 em 7,68% da população.

Se 16,2 milhões de brasileiros vacinados ainda parece muito pouco quando se olha para uma população de mais de 212 milhões de pessoas, uma nova vacina produzida em território nacional pode ser de grande valia. É nesse contexto que o Instituto Butantan anunciou a Butanvac, a primeira vacina brasileira contra a COVID-19.

Butanvac: testes devem ser feitos em breve


Os testes dependem da autorização da Anvisa, que também regulamenta o seu uso. (Fonte: iStock)

A vacina Butanvac foi anunciada no último dia 26 de março, pelo presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, em pronunciamento feito junto com o governador de São Paulo, João Doria. A expectativa é de que o imunizante tenha algumas diferenças daqueles que já estão sendo aplicados no Brasil, mas Covas não quis entrar em detalhes até que a vacina entre na fase de testes clínicos.

Correndo contra o tempo, o Butantan e o Governo de São Paulo querem entregar 40 milhões de doses já a partir de julho deste ano. Para isso, é preciso que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceda autorização para iniciar os ensaios clínicos, que testará a segurança da vacina e a eficácia dela em gerar uma resposta imunológica. Atualmente a vacina já passou pelos testes pré-clínicos, que são os testes em animais.

Na coletiva, Covas falou sobre a expectativa de quando o imunizante poderá ser distribuído e aplicado nos brasileiros: “Queremos fazer os estudos em dois meses, dois meses e meio, no máximo três meses, para disponibilizar as doses no segundo semestre”, disse o presidente do Instituto Butantan.

Cadastre-se gratuitamente no Cognys e tenha uma experiência personalizada com nossos conteúdos!
Já tem uma conta? Faça login.

Como é feita a vacina e como ela será?


A Butanvac é feita com uma tecnologia barata, que permite uma produção em larga escala. (Fonte: iStock)

Para gerar uma resposta imunológica do corpo contra o SARS-CoV-2, a vacina irá utilizar como vetor uma versão modificada do vírus Newcastle, causador da gripe aviária. Assim, a Butanvac utiliza a mesma tecnologia na vacina contra a gripe. Depois da modificação feita no vírus Newcastle, ele é inserido em ovos de galinha para se multiplicar.

Essa técnica barateia o custo, o que deve permitir a produção de milhões de doses rapidamente, segundo o presidente do Butantan. “"Não existe ainda nenhuma vacina contra a covid-19 produzida em ovo. Por que é importante produzir em ovo? Primeiro, existem muitas fábricas no mundo que usam essa tecnologia para produzir vacina da gripe. Segundo, é mais barato do que tecnologias mais modernas, porque essa é uma tecnologia tradicional. Terceiro, é seguro. A vacina da gripe é a mais utilizada no mundo, 80 milhões de pessoas são vacinadas todos os anos no Brasil”, afirmou.

O Instituto Butantan afirma que ainda não sabe se a vacina será feita em dose única ou precisará de uma dose de reforço, como a maioria das vacinas existentes. Dimas Covas garante que a vacina tem potencial de imunização superior às existentes hoje e não descarta a possibilidade de dose única: “É uma possibilidade. O fato de você ter uma melhor resposta imunológica permite utilizar apenas uma dose”, disse.

Outro ponto forte da vacina é que a Butanvac deve ser capaz de proteger contra a variante P.1, originada no Brasil, porque já está utilizando elementos dela. “Nós já estamos trabalhando na versão P1 desta vacina. Quando ela entrar em produção será eficaz contra a variante”, afirmou Covas, que garantiu que se necessário a Butanvac irá se adaptar para combater outras variantes.

Cognys
Cognys

O Cognys é uma solução digital completa, que entrega para o profissional da área de saúde os mais importantes recursos para ajudá-lo em sua rotina diária e aprimoramento constante.

COGNYS
instituto butantan
vacinação
vacina contra a covid-19
vacina da covid-19