A terceira dose da vacina contra a COVID-19 é uma realidade?

Especialistas divergem sobre terceira dose, mas há consenso de que reforço deverá ser tomado periodicamente.

  • 02/06/2021
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Especialistas divergem em relação a terceira dose, mas há consenso de que reforço periódico será necessário. (Fonte: iStock)

A pandemia contra a COVID-19 continua acontecendo na maior parte do mundo. De um lado, alguns países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, começam a retomar gradualmente as suas rotinas normais com vacinações já bem avançadas. Mas para diversos países a realidade é outra: uma corrida contra o tempo para vacinar populações inteiras e garantir uma estabilidade dos casos da doença.

O Brasil se encaixa no segundo cenário e o país, infelizmente, se vê mais próximo de uma temida 3ª onda do que de um cenário de estabilidade e imunização. Apesar disso, a vacinação segue avançando e cerca de 10% dos brasileiros já estão totalmente imunizados contra a COVID-19.

Embora a cobertura vacinal ainda seja baixa, a vacinação já começa a levantar novos questionamentos no país. Enquanto são feitos estudos para verificar as taxas de eficácia das vacinas nos brasileiros, surge um grande debate na comunidade científica: será necessário dar uma terceira dose da CoronaVac aos imunizados de faixas etárias mais avançadas?

Estudo de pesquisador da Fiocruz e surgimento do debate


Estudo de pesquisador da Fiocruz questionou eficácia da CoronaVac em idosos com mais de 80 anos. (Fonte: iStock)

Desde o início da vacinação, há consenso na comunidade científica de que reforços periódicos na vacinação contra a COVID-19 serão necessários, como já acontece com algumas doenças virais, como a gripe. No entanto, um estudo recente com os vacinados pela Coronavac é que tem levantado um debate mais acirrado.

A pesquisa em questão foi realizada pelo grupo de estudos Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19 (Vebra COVID-19), que conta com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas. O estudo trouxe dados mais recentes da eficácia do imunizante especificamente para os idosos.

Dois dados são fundamentais para o argumento em favor da terceira dose. O de que a CoronaVac apresentou eficácia de 42% para idosos com mais de 70 anos e apenas 28% de eficácia em idosos com mais de 80 anos.

Em entrevista à BBC Brasil, o infectologista responsável pelo estudo e cientista da Fiocruz, Julio Croda, destaca a baixa eficiência encontrada na pesquisa: “Isso chama atenção. É algo a que a gente precisa ficar atento”, e argumenta que uma terceira dose pode ser necessária antes do esperado: “Num futuro próximo, talvez ainda este ano, a gente deva programar a revacinação desse grupo específico”, pondera.

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Instituto Butantan garante que a vacina está funcionando


Instituto Butantan rechaça ideia de terceira dose e garante que a CoronaVac é eficiente. (Fonte: iStock)

Do outro lado do debate, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, negou a necessidade de aplicar uma terceira dose nos idosos por agora. Ele afirma que estudos realizados pelo Butantan mostram que até o momento a CoronaVac protege contra os sintomas, as internações e as mortes por COVID-19. “"Neste momento, não existe necessidade de se preocupar com uma terceira dose como foi propalado por aí recentemente. Isso não corresponde aos fatos”, afirmou.

O diretor médico do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, também rechaçou categoricamente a ideia de uma terceira dose em idosos. Além disso, Palacios questionou as condições em que foram realizadas a pesquisa do grupo Vebra COVID-19. “Se todo mundo tivesse sido vacinado ao mesmo tempo e a pandemia estivesse estabilizada, seria diferente. Mas, desse jeito, estão comparando peras com maçãs. Eles deveriam ter esperado para fazer esse estudo”, ponderou.

Os próximos passos

Em consenso, a comunidade científica partilha de duas ideias: em algum momento será necessário reforçar a imunização daqueles que já foram imunizados e é preciso avançar com a vacinação em mais grupos para garantir uma cobertura vacinal satisfatória. “Ninguém vai pensar em dar uma terceira dose com tanta gente que ainda não tomou as duas. Não faz sentido, não seria justo”, afirma Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Por enquanto, uma vacinação que se mostre efetiva contra internações em UTIs e mortes é a grande prioridade. “Claro que se uma vacina evitar a transmissão do vírus a gente fica feliz, mas ela é feita para evitar internação e óbito, e isso não foi avaliado pelo estudo feito no Brasil”, declarou Palacios.

O diretor médico do Butantan garante que a CoronaVac é muito eficiente nesse ponto e aponta dados do próprio estudo do Vebra COVID-19 para reforçar isso. Entre eles, a queda na incidência de casos da doença em idosos com mais de 70 anos desde meados de março deste ano. “Isso mostra que a vacina está funcionando. A gente precisa tranquilizar as pessoas. Muita gente ficou angustiada [com os resultados do estudo]”, afirmou.

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