A segunda onda de COVID-19 no Brasil

Enquanto o mundo caminha para a saída da pandemia, país enfrenta piora da COVID-19 no território nacional; entenda o cenário.

  • 28/04/2021
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Na contramão de vários países do mundo, Brasil enfrenta pior momento da pandemia na segunda onda. (Fonte: iStock)

A COVID-19 continua acontecendo, e embora vários países tenham registrado melhoras significativas, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que a pandemia acabe de fato. No entanto, a vacinação em alguns países já começa a apresentar resultados e alguns lugares já voltam a experimentar uma rotina mais próxima do cenário pré-pandemia.

No entanto, do outro lado dessa dura batalha contra o SARS-CoV-2, o Brasil se encontra numa situação grave e preocupante. Enfrentando o que os especialistas chamam de segunda onda, quando uma nova onda de contágio se instaura e faz crescer os números novamente. Os números que vêm sendo registrados no país são alarmantes e o avanço da COVID-19 em 2021 preocupa autoridades e especialistas.

Enquanto em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos, a vacinação avança em bom ritmo, no Brasil a imunização ainda corre em uma velocidade muito menor do que a necessária para frear o aumento de casos. Pelo contrário, o número de casos aumentou significativamente e o número de mortes por COVID-19 desde o início de 2021 já supera o total de vítimas que a doença fez em todo o ano de 2020.

O desrespeito às medidas de distanciamento


Em plena pandemia, as areias das praias do Rio de Janeiro ainda aparecem lotadas. (Fonte: iStock)

Alguns fatores podem explicar o novo aumento que o Brasil vem enfrentando desde o fim do ano passado. Entre eles, o desrespeito ao distanciamento social é um fator chave para o surgimento de uma segunda onda ainda mais perigosa. As aglomerações nas festas de fim de ano foram o pontapé inicial, aumentando os casos de COVID-19 e as mortes em função da doença.

O controle da doença tem sido dificultado desde então, até quando medidas restritivas são tomadas por autoridades públicas. Em março deste ano, cidades como São Paulo e estados como o Rio de Janeir decretaram feriados prolongados para evitar a circulação de pessoas, mas o efeito contrário: mais desrespeito às medidas de distanciamento.

Especialistas, como o Dr. Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, alertam para o perigo do não cumprimento do distanciamento social. Em entrevista à CNN Brasil, Kfouri foi taxativo: “Se se já tem uma curva de ascensão como nós temos e o aumento sustentável da transmissão do vírus, e ainda tem uma cepa com mais transmissibilidade, nós estamos com o cenário perfeito para ter aumento significativo do número de casos”.

O novo perfil da COVID-19 e vacinação lenta


Vacinação no Brasil ocorre lentamente: menos de 15% da população foi imunizada. (Fonte: iStock)

Outros dois fatores são determinantes para o surgimento de uma segunda onda ainda mais agressiva e letal. O primeiro deles é o novo perfil epidemiológico da COVID-19 no Brasil, com a doença atingindo mais pessoas jovens e saudáveis de forma muito mais grave. Um fenômeno que tem levado especialistas a considerar que a classificação dos chamados grupos de risco já não faz mais sentido no país.

Segundo dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) o perfil dos casos graves de COVID-19 em 2021 tem uma grande diferença em relação ao ano anterior. O mês de março deste ano registrou que 52% das internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) foram de pessoas com até 40 anos. O mais alto nesta faixa etária desde o início da pandemia de COVID-19 no Brasil.

Outro fator que contribui para que a doença vá na contramão de alguns países e avance, ao invés de recuar, é a vacinação ainda muito lenta no Brasil. Depois de 3 meses e 10 dias de iniciada, a campanha de vacinação contra a COVID-19 no Brasil imunizou apenas 14,29% da população com a primeira dose e 6,61% com a segunda dose.

A expectativa inicial do Ministério da Saúde, divulgada em março, de imunizar todos os grupos prioritários até o fim do primeiro semestre já foi modificada pelo atraso nas entregas. Com isso, enquanto o Governo Federal tenta adquirir mais vacinas para acelerar o ritmo da campanha de vacinação, o novo Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a imunização dos grupos prioritários deve ser concluída somente em setembro.

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O perigo da terceira onda


Especialistas criticam flexibilização de medidas restritivas e alertam para terceira onda. (Fonte: iStock)

Um risco ainda maior se aproxima do Brasil e com um sistema de saúde já sobrecarregado, o país pode se ver diante de uma situação ainda mais grave. Segundo especialistas, em entrevista ao jornal El País Brasil, uma terceira onda já não é mais dúvida e apenas uma questão de tempo para a realidade da pandemia de COVID-19 no Brasil.

Um fator que preocupa os especialistas é a flexibilização de medidas restritivas adotadas por estados e municípios Brasil afora. Preocupam possíveis aglomerações em datas comemorativas, como o Dia das Mães. O médico epidemiologista Paulo Lotufo diz que os casos da doença devem cair em breve, mas que com o relaxamento das medidas de distanciamento social, esses números devem voltar a subir em breve e isso pode levar a outras ondas de contágio.

Rafael Lopes Paixão da Silva, membro do Observatório COVID-19 BR, é categórico ao afirmar que o relaxamento de medidas restritivas não faz sentido neste momento da pandemia. “Abril, que ainda nem acabou, já é o mês mais letal de toda pandemia. E independentemente disso nós estamos reabrindo as atividades novamente. Se a medida está dando certo é preciso continuar com ela por algum tempo para que se tenha uma margem de segurança”, afirma.

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