A realidade dos enfermeiros na linha de frente da COVID-19

Conheça um pouco dos desafios dos profissionais que trabalham em contato direto com os infectados pelo novo coronavírus.

  • 29/05/2020
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A falta de EPIs adequados tem sido uma das grandes queixas dos profissionais de enfermagem no Brasil. (Fonte: iStock)

A pandemia de COVID-19 é o maior desafio que a saúde pública mundial já enfrentou nos últimos 100 anos. Os números do coronavírus seguem alarmantes por todo o mundo, na manhã desta sexta-feira (29), eram quase 6 milhões de infectados em todo o mundo, com mais de 350 mil mortes no planeta.

No Brasil, a situação é ainda mais preocupante. Hoje, o país já é a segunda nação do mundo com mais casos confirmados de COVID-19, são quase 450 mil. No ranking do número de óbitos, o Brasil já aparece em sexto, com o número de mortes ultrapassando a casa dos 26 mil. O Brasil tem registrado mais de 1.000 mortes diárias há alguns dias.

Em meio a este cenário, hospitais estão cada vez mais lotados, leitos de UTI são cada vez mais escassos e o número de casos só cresce, acarretando num maior número de mortes. O tão ressaltado achatamento da curva de contágio não aconteceu no Brasil, que ainda vê sua curva crescendo 3 meses depois do seu primeiro caso confirmado.

Profissionais de enfermagem na linha de frente


Profissionais de enfermagem têm sido aplaudidos e reverenciados no mundo todo. (Fonte: iStock)

Diante de uma situação de pandemia, em meio a um sistema de saúde a beira do colapso ou já colapsado em alguns estados, quem está na linha de frente contra a COVID-19 são os profissionais de enfermagem. Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem são os profissionais mais expostos na luta contra o novo coronavírus.

Entre todos os profissionais da saúde, são eles que entram em contato direto e diário com pacientes infectados. Por isso, neste momento, eles devem estar no topo de preocupações dos líderes dos serviços de saúde e das autoridades responsáveis pela saúde pública no Brasil.

Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN, na sigla em inglês), o Brasil é o país com maior número de mortes de profissionais da enfermagem em todo o mundo durante a pandemia. Os números, divulgados na última quarta-feira (27), o Brasil ultrapassou os números dos Estados Unidos e chegou a marca de 157 mortes de enfermeiros por COVID-19.

Exposição ao risco e denúncia de falta de EPIs


Os EPIs, como a máscara N95, são fundamentais para garantir a saúde dos profissionais de enfermagem. (Fonte: iStock)

Médicos e enfermeiros que estão trabalhando na linha de frente contra a COVID-19 estão expostos constantemente ao risco. Para os profissionais da enfermagem, o risco é ainda maior já que o contato com os infectados é constante e bem próximo. Por isso, é necessário possuir os equipamentos corretos. Mas, infelizmente, essa não tem sido a realidade de muitos deles no Brasil.

No começo de abril, enfermeiros e demais profissionais de enfermagem denunciaram o decaso de autoridades públicas em fornecer Equipamentos de Proteção Individual, os chamados EPIs. No mesmo mês, o Cofen já registrava quase 3.600 denúncias sobre a falta, a escassez ou a má qualidade dos mais variados Equipamentos de Proteção Individual, como luvas, máscaras e aventais.

As reclamações continuaram durante toda a pandemia. Há cerca de 15 dias, foi a vez de profissionais da enfermagem do Rio de Janeiro fazerem denúncias do descaso das autoridades públicas em proteger os profissionais mais importantes no combate à COVID-19.

As denúncias vieram de vários hospitais públicos do Rio de Janeiro e as reclamações são parecidas. Em algumas unidades de saúde, faltam EPIs; em outras, eles existem mas não são os mais adequados. Uma enfermeira do Hospital Salgado Filho relata: “No início dessa pandemia, nós precisamos comprar os nossos EPIs porque o hospital não tinha para fornecer”.

Alguns profissionais chegaram a fazer arrecadações virtuais para levantar fundos e comprar EPIs por conta própria, é o que conta o enfermeiro Glauber Amâncio, ao G1: “Chegamos ao ponto de precisar comprar nossos equipamentos de proteção individual. Afinal de contas, é a nossa vida que está em jogo”.

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As consequências da pandemia além do profissional


O projeto Enfermagem Solidária é uma iniciativa de auxílio psicológico do Cofen. (Fonte: Cofen/Reprodução Twitter)

Os profissionais de enfermagem tem mostrado todo seu profissionalismo, dedicação e amor à profissão enfrentando um dos momentos mais graves da saúde pública no mundo. Mas por trás dos profissionais dedicados e dos exemplos de dedicação, estão seres humanos, que muitas vezes levam a consequência da pandemia para sua vida particular.

Segundo um levantamento do G1, usando dados do “Enfermagem Solidária”, do Conselho Federal de Enfermagem, a cada 11 minutos, um profissional de enfermagem trabalhando na linha de frente contra a COVID-19 procura atendimento psicológico. Até o fim do mês passado eram quase 3 mil chamados em 20 dias da iniciativa do Cofen.

Para Doris Humerez, coordenadora da Comissão Nacional de Enfermagem em Saúde Mental do Cofen, o cenário destes profissionais é crítico: “Muitos estão com depressão, pânico, alto nível de ansiedade, estresse e insônia e ainda sofrem com a rejeição".

Pensando nisso, a Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Saúde, criou o programa Saúde Na Escuta. Nele, 30 profissionais oferecem assistência psicológica aos profissionais da saúde durante 12 horas por dia durante os próximos 3 meses. Mais informações estão disponíveis no site da iniciativa.

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