A história por trás dos antidepressivos

Conheça as principais informações sobre a origem dos antidepressivos e como se deu a evolução dos medicamentos que melhoram a qualidade de vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

  • 13/01/2023
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Conheça a história por trás dos antidepressivos. (Fonte: iStock)

Atualmente, existem diversas classes farmacológicas para o tratamento terapêutico da depressão. No entanto, nem sempre foi assim. Isso porque, na medicina, apenas entrou em pauta assuntos sobre neurotransmissores, e posteriormente sua relação com a depressão, a partir da década de 1920. Até então, assuntos como os espaços existentes entre neurônios e órgãos alvo não haviam sido citados. Anteriormente, acreditava-se que os fios condutores chegavam até o órgão alvo e funcionavam como sistemas conectados entre si.  

Após a tomada de consciência sobre a existência desses neurotransmissores, a acetilcolina, serotonina e dopamina, assim como vários outros, passaram a ser estudados e apresentar relevância na área médica e farmacológica.

Para trazer luz sobre o assunto e fornecer mais informações a respeito da origem dos antidepressivos, o Cognys Meds preparou esse conteúdo, destrinchando as principais dúvidas que giram em torno dos neurotransmissores e sua relação com a depressão. Confira.

Relação entre neurotransmissores e a depressão

De acordo com a OPAS, Organização Pan-Americana de Saúde, a depressão é um transtorno que afeta cerca de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, no mundo. Sendo considerada também a principal causa de incapacidade, e um fator importante para o desenvolvimento ou piora nos quadros de outras doenças e condições.

Mulheres e jovens, de maneira geral, são os mais afetados pela condição. A informação foi obtida após uma publicação realizada no periódico The Lancet, onde foram analisados dados sobre os impactos da pandemia de COVID-19 na saúde mental. O estudo quantificou a prevalência dos transtornos depressivo e ansioso, dividido por sexo, idade e localização em 204 países.

A depressão acontece quando o cérebro sofre alterações químicas que desencadeiam sentimentos negativos e requerem ajuda para voltar ao seu estado normal. A rede de neurônios do cérebro fica muito ativa, causando uma dificuldade de experimentar prazer nas mais diversas atividades.

A função dessas regiões cerebrais responsáveis pelos sentimentos negativos é de extrema importância. Pois, são usados neurotransmissores variados para enviar informações dos neurônios para outras células. Neste caso, os principais neurotransmissores envolvidos são a noradrenalina e a serotonina. Portanto, se existe algum desequilibro ou problema na sua produção, é aí que se instala a depressão.

Antidepressivos

Os antidepressivos atuam na tentativa de reverter os danos causados pelo desequilíbrio na produção de neurotransmissores no cérebro. Entre os mais comuns, estão principalmente aqueles que atuam na estimulação de dopamina, que se relaciona diretamente com a euforia; a noradrenalina, responsável pela excitação, atenção; e a serotonina que reflete no desejo sexual, atua na regulação do humor, apetite e sono.

Para que seja realizada a regulação desses neurotransmissores, podem ser administrados medicamentos que foquem apenas em um ou que sejam combinados. As melhorias podem ser percebidas de forma gradual a partir da segunda semana de administração, isso se dá por conta do processo de neuroadaptação sofrido pelo cérebro, bem como das doses administradas.

Nos casos em que o paciente não apresenta melhorias após o tratamento realizado com dois medicamentos diferentes, geralmente casos de depressões resistentes, existe uma alternativa recente conhecida pelo nome de cetamina.

Sua administração é feita através de aplicação intravenosa, que pode ser realizada tanto em hospitais como em clínicas especializadas. O mesmo procedimento é utilizado em casos de administração da escetamina, que é um spray nasal que se deriva da cetamina. Em ambos os casos, sua ação ocorre de forma extremamente rápida, podendo apresentar resultados em até 24h. No entanto, por ser uma molécula excitatória e bastante estimulante, podem ser observados efeitos colaterais frequentes.

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A origem

Até 1920 os neurotransmissores ainda não eram conhecidos. Foi a partir da década de 30, mas especificamente em 1936, que o farmacêutico Otto Loewi recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, pela descoberta do papel da acetilcolina como neurotransmissor endógeno.

Até o final da década de 40, o tratamento depressivo mais eficiente era feito com o uso da psicoterapia e eletroconvulsoterapia. Até que, a partir da década de 50, os antidepressivos tomaram um grande impulso.

Em 1953, o psiquiatra Max Lurie usou pela primeira vez o termo “antidepressivo”. Já em 1957, a iproniazida passou a ser receitada especificamente para casos de depressão, tornando-se o primeiro antidepressivo vendido comercialmente, e foram identificados efeitos colaterais da Reserpina (apatia intensa, anedonia e tristeza).

Já na década de 60, a indústria farmacêutica e alguns grupos formados por farmacêuticos elucidaram estruturas de fármacos capazes de restabelecer o nível de neurotransmissores, quando passaram a ser produzidos e comercializados 2 principais tipos de antidepressivos. São eles os antidepressivos tricíclicos e os inibidores da monoamina oxidase (MAO).

Finalmente na década de 80, chega ao mercado a fluoxetina, ou popularmente conhecida como a pílula da felicidade. Sua descoberta se tornou um divisor de águas no tratamento da depressão pela sua intensa seletividade para aumentar apenas a oferta de serotonina no organismo.

A partir deste ponto, outros medicamentos foram sendo descobertos e comercializados. Os principais deles, são: bupropiona, vortioxetina, mirtazapina, reboxetina, nefazodona, venlafaxina, trazodona, mirtazapina e por fim, a mais recente deles, escetamina (esketamina). 

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