120 anos de Fiocruz: conheça a Fundação Oswaldo Cruz

Descubra mais sobre uma das mais renomadas Instituições à frente da pesquisa para cura da COVID-19 no Brasil.

  • 25/05/2020
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Fachada frontal do Pavilhão Mourisco, também chamado Castelo da Fiocruz, localizado no campus Manguinhos. (Fonte: Acervo Fiocruz)

No dia 25 de maio, a Fiocruz completa 120 anos. Uma instituição histórica e de referência há mais de um século na sociedade brasileira, em vários momentos a história da Fundação Oswaldo Cruz se confunde com a história da saúde pública e da ciência no Brasil.

Em homenagem a essa data tão importante, o Cognys vai contar um pouco da História da Fiocruz e a sua importância para a saúde brasileira nestes mais de 100 anos de existência. Descubra quais as contribuições da Fundação Oswaldo Cruz na ciência brasileira e como, neste momento, em tempo de pandemia de COVID-19, teve sua relevância novamente colocada à disposição da sociedade.

Sobre a Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chamada inicialmente de Instituto Soroterápico Federal (Rio de Janeiro), foi fundada em 1900, pelo médico epidemiologista e sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz, na fazenda de Manguinhos. Com o objetivo inicial de produzir vacinas e soros para o combate da peste bubônica, o instituto foi além da produção científica.

Após ser nomeado como Diretor Geral de Saúde Pública, Oswaldo Cruz implantou, através de campanhas de saneamento básico, uma reforma sanitária no Rio de Janeiro. A partir de então se iniciou o processo de criação e construção do conjunto arquitetônico de Manguinhos.

Um de seus principais objetivos como diretor do Instituto, além do desenvolvimento de seus esforços contra a febre amarela, era de torná-lo um centro de pesquisa, voltado o desenvolvimento da ciência que resolvesse demandas de saúde que pudessem acometer a população.

Referência na saúde pública: os feitos históricos da Fiocruz


Fachada frontal do Pavilhão Mourisco, também chamado Castelo da Fiocruz, localizado no campus Manguinhos. (Fonte: Acervo Fiocruz)

Com seu trabalho acerca da febre amarela, peste bubônica e a varíola, o Instituto se tornou referência em saúde pública. Foi então que deu-se início a um novo Código Sanitário, voltado para a vacinação obrigatória da população, que não teve uma boa recepção frente à opinião pública, gerando revoltas. Esse feito foi chamado de Revolta da Vacina que, após seu término, culminou em uma revogação da decisão de obrigatoriedade.

Mais tarde, como resultado dos esforços realizados por Oswaldo Cruz e a equipe de cientistas de Manguinhos, a febre amarela foi erradicada do Rio de Janeiro. Neste momento o Instituto deixa de ser chamado de Instituto Soroterápico Federal, passando a se chamar Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos. No ano seguinte, o nome passa por nova mudança, passando a se chamar Instituto Oswaldo Cruz (IOC), mantendo-se até os dias atuais.

Em seguida, o Instituto Adolfo Lutz, com grande bagagem de conhecimentos zoológicos, passou a integrar o Instituto Oswaldo Cruz. Mais tarde o Instituto vacínico do Rio também é incorporado, possibilitando a produção da vacina contra a febre amarela fosse realizada pelo próprio IOC/ Fiocruz.

Atualmente o Instituto atua em 10 estados do Brasil, auxiliando o Ministério da Saúde e possui 16 unidades técnico-científicas distribuídas pelo Brasil, com intuito de promover pesquisas e desenvolver inovações tecnológicas no campo da saúde.

Descobertas e contribuições científicas 


Vacina contra a febre amarela produzida pelo Instituto Oswaldo Cruz. (Fonte: Acervo Fiocruz)

A Fiocruz foi responsável por grandes contribuições científicas para o Brasil e o mundo na área da saúde e pesquisas. O trabalho da Instituição começou com a pesquisa e produção de vacinas para os surtos e epidemias de febre amarela e a varíola que assolavam o Rio de Janeiro. 

Mais tarde, a Instituição ofereceu importantes contribuições para a evolução na tecnologia na área da saúde. Entre as principais, encontram-se o isolamento do vírus causador da Aids no Brasil, liderado pelo imunologista Bernardo Galvão, e o atual trabalho e estudos realizados acerca do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Atualmente o Instituto está voltado para a produção de vacinas para:

Além disso o IOC/Fiocruz está trabalhando no desenvolvimento de uma vacina para a COVID-19.

As pesquisas, o coração da Fiocruz


Exames para Covid-19 realizados no Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. (Fonte: Acervo Fiocruz)

A fundação dispõe de cerca de 1000 projetos de pesquisa em andamento, voltados para o controle de doenças como a tuberculose, malária, Aids, Doença de Chagas,  hanseníase, sarampo, rubéola e a COVID-19.

Dentre as áreas de pesquisa da Fundação, estão: Entomologia, Biologia de Vetores e Reservatórios de agentes infecciosos; Microbiologia em Saúde e Ambiente; Virologia e Saúde; Parasitologia; Imunidade e Inflamação; Modelos experimentais de doenças; Doenças Crônicas e não-transmissíveis, medicina regenerativa; Nanotecnologia e novos materiais; Genômica Proteômica, Biologia de Sistemas, Biologia Sintética, Computação Científica;; Genética, Epidemiologia Molecular em Saúde, farmacogenética; Pesquisa clínica e Ensaios Clínicos; Saúde e Gênero, Saúde do Idoso; Saúde Perinatal, da Criança e do Adolescente; Ambiente, Ecologia e Saúde; Epidemiologia, métodos estatísticos e quantitativos; Vigilância em Saúde; Políticas Públicas, Planejamento e Gestão em Saúde; Gestão da Ciência e Tecnologia em Saúde; Promoção da Saúde; Avaliação e Economia da Saúde; Informação e Comunicação em Ciências e Saúde; Sociologia, Antropologia, Filosofia e Saúde, Cultura e Sociedade; História, Saúde e Ciência; Educação em Ciências e Saúde; Educação não formal e divulgação das Ciências e Saúde; Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Medicamentos; Pesquisa e Desenvolvimento de Diagnósticos; Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas Profiláticas e Terapêuticas; Pesquisa e Desenvolvimento de Processos Industriais e Políticas Públicas para Saúde em Territórios.

O objetivo de desenvolver a pesquisa clínica através da Fundação é conseguir descobrir e determinar novas formas de tratamento ou possíveis substitutos para medicamentos e tecnologias preexistentes. Além disso, tem como função primordial fortalecer e desenvolver pesquisas no âmbito científico e tecnológico, gerando novos conhecimentos que buscam garantir o desenvolvimento de tecnologias em saúde, seguras e acessíveis ao sistema de saúde do país e disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Fiocruz e o novo coronavírus


Investigação da ação de medicamentos antivirais sobre o novo coronavírus. (Fonte: Acervo Fiocruz)

Desde a chegada da COVID-19 ao Brasil, pesquisadores do instituto, em parceria com o Instituto Adolfo Lutz, estão a frente de diversos estudos e contribuições para a saúde e a ciência no combate ao novo coronavírus.

Assim que foi confirmado primeiro caso da doença em território nacional, pesquisadores brasileiros do Instituto Adolfo Lutz, integrado ao Instituto Oswaldo Cruz, conseguiram realizar o sequenciamento genético do novo coronavírus em apenas 48h, enquanto outros países levaram cerca de duas semanas para o sequenciamento do genoma viral. Através do sequenciamento foi possível identificar mutações no vírus encontradas ao redor do mundo.

Mantendo o compromisso com a saúde pública, o IOC iniciou a produção de kits PCR (teste moleculares realizados através da análise da secreção nasal e da garganta) em larga escala para o diagnóstico de pacientes com COVID-19 na maior quantidade possível, com o objetivo de frear a expansão da pandemia e melhorar a política pública de combate à doença. A Fiocruz foi a pioneira na fabricação deste tipo de teste no país, sendo a maior fabricante e abastecedora dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Fiocruz coordena ainda, um sistema que realiza o monitoramento de casos reportados da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil, chamado InfoGripe. Esse sistema realiza as notificações  sobre os níveis de alerta registrados da doença, através de dados de possíveis pacientes de COVID-19 sem confirmação por falta de testes.

Através da preocupação com casos de subnotificação da doença e crescente número de infectados, a Instituição começou a realizar o monitoramento de esgotos. Isso se iniciou através do desenvolvimento de pesquisas indicando que o vírus pode ser encontrado em fezes e urinas de pacientes contaminados. Por isso, estão sendo analisadas amostras de esgoto sanitário para acompanhar o número de casos positivos da COVID-19 em determinadas localizadas, incluindo pessoas assintomáticas e subnotificados no sistema de saúde.

A Fiocruz construiu, ainda, um hospital para receber vítimas graves da COVID-19. A unidade de saúde fica em Manguinhos, Zona Norte do Rio, no mesmo lugar onde a sede da fundação está localizada. O hospital, que vai continuar atendendo pacientes com doenças infecciosas mesmo após a pandemia, possui 196 leitos para pacientes graves, e para a terapia intensiva serão até 120 vagas. Além disso, o novo hospital será também um centro de pesquisa para obtenção de informações sobre pacientes infectados que serão utilizadas em estudos realizados acerca do SARS-CoV-2.

Agora o Instituto está trabalhando para o desenvolvimento de uma vacina capaz de imunizar contra o coronavírus. Isso levou o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), junto ao Ministério da Saúde, a ser escolhido como Laboratório Referência para o estudo da COVID-19 nas américas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse estudo pretende encontrar formas de tratamento contra a doença e reúne especialistas de 45 países e, aqui no Brasil, 18 centros de pesquisa em 12 estados liderados pela instituição.

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